Mundo

Derrotas do Partido Conservador em eleições regionais aumentam pressão sobre Boris Johnson

É a primeira vez que os britânicos vão às urnas desde o escândalo das festinhas clandestinas de que participaram Boris Johnson e integrantes de seu governo durante o período de lockdown no país

O primeiro-ministro Boris Johnson. Foto: Alberto Pezzali/AFP
O primeiro-ministro Boris Johnson. Foto: Alberto Pezzali/AFP
Apoie Siga-nos no

As eleições regionais no Reino Unido impuseram derrotas importantes ao partido conservador do primeiro-ministro, Boris Johnson, que já vinha na corda bamba. Entre elas, a perda de três redutos emblemáticos da legenda bem na capital. O distrito de Westminster, que estava nas mãos do partido desde 1964; o de Wandsworth, que era o preferido de Margaret Thatcher e que não perdia para os trabalhistas desde 1978; e o de Barnet, que nunca havia tido uma maioria trabalhista.

A apuração começou pela Inglaterra, onde estão sendo disputados 4.360 assentos em 146 distritos. A contagem na Escócia e no País de Gales, onde todos os distritos estão sendo renovados, teve início nesta sexta-feira (6).

Os liberais democratas já abocanharam 57 distritos ingleses. São a legenda com mais vitórias por enquanto. Os verdes também estão se saindo bem. Tudo isso muda o cenário político e acirra a disputa entre os dois principais partidos britânicos, conservadores e trabalhistas. O tamanho da derrota da situação, que alguns integrantes da legenda consideram catastrófica até agora, terá impacto sobre o futuro de Johnson. Aliás, os conservadores abatidos pelas urnas nesta quinta-feira não pouparam críticas ao premiê.

Renovação

Estas eleições renovam parte das assembleias pelo país. As vagas que estão sendo pleiteadas agora foram preenchidas em 2018. Naquele ano, houve um empate entre conservadores e trabalhistas, que terminaram com 35% dos votos cada um. Só que este é o maior teste da opinião pública antes da eleição geral — em princípio, está marcada para maio de 2024.

Na verdade, é uma dupla prova de fogo. Para Johnson, pois é a primeira vez que os britânicos vão às urnas desde a pandemia e do escândalo das festinhas clandestinas de que participaram integrantes de seu governo (e ele próprio) durante o período de lockdown no país. Para o partido conservador, pois é o termômetro do humor do eleitorado e seus níveis de confiança na legenda para enfrentar tempos sombrios que analistas e a classe política vislumbram para o curto, médio e longo prazos.

Agora, será que os trabalhistas podem provar sua capacidade de transformar o país? Será que saberão capitalizar o que aconteceu nas urnas para a eleição geral? Isso ainda terá de ser avaliado. Até porque não conseguiram recuperar distritos importantes na chamada Muralha Vermelha, seus antigos redutos, perdidos para os conservadores desde o Brexit.

Preocupação com a economia

Perspectivas sombrias para a economia estão no topo da agenda do eleitorado. A disparada do custo de vida, com inflação em alta, é o que mais preocupa. Diante disso, já há quem diga que os conservadores começam a considerar até mesmo antecipar a eleição geral. Sabem que o cenário agora não é bom. Mas até lá pode ser ainda pior. Esta seria uma forma de evitar perder ainda mais votos com a consolidação da piora, agravada pelos efeitos da guerra na Ucrânia.

O Banco Central da Inglaterra acaba de aumentar a taxa de juros para 1% ao ano. Pode parecer pouco, se compararmos com a brasileira, que acaba de subir para 12,75% ao ano. No entanto, é o percentual mais elevado desde 2009. A justificativa está na inflação, que pode fechar 2022 em 10% — o nível mais alto em 40 anos. A meta para este ano era de 2%. A libra caiu para a sua menor cotação em relação ao dólar desde junho de 2020.

Fala-se, também, em crescimento do desemprego e retração da economia no ano que vem. Tudo isso está sendo posto na balança pelo eleitor. Aliás, em nova saia justa, Boris Johnson foi submetido em um programa de televisão a um depoimento comovente de uma aposentada, que afirma passar o dia andando de ônibus para se manter aquecida, depois desligar a calefação de casa por conta do preço da fatura do gás.

Avanço histórico de partido nacionalista na Irlanda do Norte

Na Irlanda do Norte também estão sendo renovados todos os assentos. Ou seja, a nação está prestes a montar um novo parlamento. E o Sinn Féin pode ser o primeiro partido nacionalista na história a obter maioria dos assentos na Irlanda do Norte, o que significa que poderão designar o seu primeiro-ministro. Este deve ser mais um desafio para a estabilidade política britânica.

O Sinn Féin é um partido que defende a saída do Reino Unido e a reunificação da Irlanda. Há uma longa lista de reclamações em relação ao governo central em Londres. Entre elas as consequências desastrosas do Brexit para a região.

A apuração continua e o resultado oficial dessas eleições só deve sair no sábado (7).

RFI

RFI
Rádio pública francesa que produz conteúdo em 18 línguas, inclusive português. Fundada em 1931, em Paris.

Tags: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor...

Apoiar o bom jornalismo nunca foi tão importante

Obrigado por ter chegado até aqui. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, que chama as coisas pelo nome. E sempre alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se este combate também é importante para você, junte-se a nós! Contribua, com o quanto que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo completo de CartaCapital.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Um minuto, por favor...

Apoiar o bom jornalismo nunca foi tão importante

Obrigado por ter chegado até aqui. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, que chama as coisas pelo nome. E sempre alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se este combate também é importante para você, junte-se a nós! Contribua, com o quanto que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo completo de CartaCapital.