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Chanceler da Argentina descarta romper relações com o Brasil

Após ofensas de Milei a Lula, Pablo Quirno defendeu manter a ‘diferença ideológica’ alheia ao ‘plano institucional’

Chanceler da Argentina descarta romper relações com o Brasil
Chanceler da Argentina descarta romper relações com o Brasil
Javier Milei em ato de Flávio Bolsonaro em São Paulo, em 25 de junho de 2026. Foto: Nelson Almeida/AFP
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O chanceler argentino, Pablo Quirno, descartou nesta quarta-feira 29 que os atritos diplomáticos com o Brasil provocados pelas palavras do presidente Javier Milei em uma recente visita a São Paulo possam levar a uma ruptura diplomática entre ambos os países.

“Não há qualquer possibilidade de que, da nossa parte, a relação seja rompida”, disse Quirno em declarações à Rádio Mitre.

Milei participou no sábado, em São Paulo, de um evento para oficializar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), no qual o mandatário argentino se referiu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como “presidiário” e “ladrão”.

“Deixamos a disputa eleitoral e a diferença ideológica nesse âmbito. Não as transferimos para o plano institucional. Esperamos que o embaixador (do Brasil) retorne ao país o quanto antes”, acrescentou o chanceler.

O governo brasileiro chamou seu embaixador em Buenos Aires para consultas pelas ofensas proferidas pelo presidente argentino.

Após essa medida diplomática, Milei acusou, sem apresentar provas, “o governo do Brasil” de financiar uma suposta “campanha contra a Argentina”.

Autoridades do governo brasileiro repudiaram as declarações do presidente argentino.

“Temos que enquadrar este episódio em uma série de episódios que vêm ocorrendo por diferenças políticas e ideológicas entre Milei e Lula. Vemos o mundo de uma maneira totalmente diferente”, disse Quirno.

Lula e Milei mantêm uma relação fria desde que o argentino chegou à Presidência em dezembro de 2023.

Embora tenham participado dos mesmos encontros internacionais, nunca realizaram uma reunião bilateral, apesar de serem parceiros no bloco Mercosul e de o Brasil ser o principal destino das exportações argentinas.

Na terça-feira, o porta-voz da Presidência argentina, Adrián Ravier, afirmou que “não é a ideia que isso afete as relações comerciais bilaterais”.

“Sempre houve insultos dos dois lados”, disse Ravier em coletiva de imprensa na sede do governo.

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