Biden escolhe crítico a Bolsonaro para cargo voltado à América Latina

O colombiano Juan González terá posto no Conselho de Segurança Nacional; escolha é recado direto para a extrema-direita, diz especialista

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Foto: JIM WATSON/AFP

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Foto: JIM WATSON/AFP

Mundo

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, designou o colombiano Juan Gonzalez como diretor sênior para o Ocidente no Conselho de Segurança Nacional, cargo no qual se ocupará de assuntos relacionados à América Latina. A escolha pode ser um sinal para o presidente Jair Bolsonaro, porque Gonzalez já criticou o chefe do Palácio do Planalto publicamente.

 

 

 

Em 22 de outubro do ano passado, Gonzalez compartilhou uma matéria do site norte-americano HuffPost que trata das políticas ambientais de Bolsonaro e reforçou a importância da pauta para haver boa relação com o novo mandatário da Casa Branca.

“Qualquer pessoa, no Brasil ou em qualquer outro lugar, que pensa que pode promover um relacionamento ambicioso com os Estados Unidos enquanto ignora questões importantes como mudança climática, democracia e direitos humanos claramente não tem ouvido Joe Biden durante sua campanha”, escreveu.

Gonzalez veio do setor privado e já atuou por sete anos no Departamento de Estado dos Estados Unidos, entre 2004 e 2011. Nos dois últimos anos desse período, foi chefe de gabinete no Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental. Entre 2011 e 2015, foi diretor do Conselho de Segurança Nacional para Assuntos do Ocidente e trabalhou como conselheiro especial de Biden, quando ele era vice-presidente de Barack Obama.

Para Roberto Goulart Menezes, cientista político e pesquisador do Instituto Nacional de Estudos sobre os Estados Unidos, a decisão de Biden em levar Gonzalez ao posto é um recado direto para a extrema-direita.

Na visão do especialista, Bolsonaro terá dificuldades para tratar de assuntos centrais para a agenda do governo Biden, entre eles, as mudanças climáticas. Além disso, o professor reforça que o apoio incondicional de Bolsonaro a Donald Trump pode prejudicar a interlocução do Brasil com os Estados Unidos por meio de Gonzalez.

“Certamente a nomeação de Juan Gonzalez terá porta de entrada para os governos que são mais próximos dos Estados Unidos. O governo Bolsonaro não é tanto pró-Estados Unidos, mas é inteiramente Trump, e tem uma dificuldade específica por insistir em acusar que houve fraudes nas últimas eleições”, avalia o pesquisador.

 

“Bolsonaro diz, indiretamente, que o governo de Joe Biden é ilegítimo. Então, Gonzalez deve promover uma agenda que tende a isolar o presidente do Brasil”, diz Menezes

 

Governo Bolsonaro é o pior em alerta de desmatamento na Amazônia

Enquanto a pauta ambiental é tratada como prioritária por Biden, Bolsonaro até então não mostrou perspectivas de que reverterá o quadro preocupante na área.

Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, divulgados nesta sexta-feira 8, pelo menos 8.426 km² foram potencialmente agredidos pelo desmatamento na Amazônia em 2020. O número é coletado a partir do quantitativo anual de alertas para desmatamento identificados pelo sistema Deter.

Essa é a segunda pior marca anual desde que a plataforma iniciou a série histórica em 2015. A pior foi registrada no primeiro ano da gestão Bolsonaro, de 9.178 km².

 

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Repórter do site de CartaCapital

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