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Assassinato de ex-ministra eleva tensões no Reino Unido

Ultraconservadora Ann Widdecombe era porta-voz do partido anti-imigração Reform UK e defendia pautas contra o aborto e os direitos LGBTQ+. Polícia detém suspeito e diz não haver indícios de motivação política

Assassinato de ex-ministra eleva tensões no Reino Unido
Assassinato de ex-ministra eleva tensões no Reino Unido
Ann Widdecombe em registro de 20 de setembro de 2024. Foto: Oli Scarff/AFP
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A polícia do Reino Unido prendeu nesta sexta-feira 10 um homem de 26 anos sob suspeita de assassinar a ultraconservadora Ann Widdecombe, ex-membro do Parlamento britânico e participante de reality shows.

Widdecombe, de 78 anos, foi encontrada morta nesta quinta-feira em sua casa em Haytor Vale, na divisa do Parque Nacional de Dartmoor, no sudoeste da Inglaterra, após sofrer o que a polícia descreveu como “ferimentos graves”.

O chefe assistente de polícia de Devon e Cornwall, Matt Longman, disse acreditar que o assassinato não foi um ato terrorista e que não há informações que sugiram motivação política. Ele não discutiu um possível motivo, mas disse que o suspeito está sob custódia enquanto a investigação continua.

“Esta é uma notícia realmente chocante, e meus pensamentos, acredito que os pensamentos de todos nós, estão com a família e os amigos de Ann Widdecombe neste momento terrível”, disse o primeiro-ministro Keir Starmer. “Ann foi uma política distinta por muitos e muitos anos, com muitas conquistas, e é uma perda enorme.”

Agenda ultraconservadora

Ela atuou na Câmara dos Comuns como deputada de 1987 a 2010 e era conhecida por suas visões socialmente conservadoras, opondo-se ao aborto legal e à expansão dos direitos LGBTQ+. A política foi amplamente criticada por defender o uso de correntes em prisioneiras grávidas durante a custódia.

Após deixar o Parlamento, ela participou dos reality shows Strictly Come Dancing e Celebrity Big Brother. Em 2019, se tornou membro do Partido do Brexit e atuou como eurodeputada representando o Sudoeste da Inglaterra em Bruxelas entre 2019 e 2020.

Mais tarde, atuou como porta-voz da legenda anti-imigração Reform UK, liderada pelo ultradireitista Nigel Farage.

A segurança dos políticos foi reforçada após os assassinatos de dois membros do Parlamento na última década. A deputada trabalhista Jo Cox foi baleada e esfaqueada em 2016 por um extremista de direita, e o conservador David Amess foi esfaqueado em 2021 por um agressor inspirado pelo grupo “Estado Islâmico” (EI).

Figura controversa

Starmer disse que a segurança dos parlamentares era “da maior importância”, ao mesmo tempo em que pediu às pessoas que superassem as diferenças políticas.

Farage disse estar profundamente abalado com a morte de Widdecombe e observou que “as coisas se tornaram ainda mais perigosas” para pessoas na vida pública.

O ex-primeiro-ministro Boris Johnson chamou Widdecombe de “uma defensora heroica do Brexit e uma grande oradora que conseguia levar o público conservador a um êxtase tão grande que era muito difícil substituí-la”.

A empresa de gestão que a representou após sua saída da política afirmou que sua vida e carreira foram guiadas por fortes valores cristãos e um compromisso com o serviço público.

“Ela adorava o dinamismo do debate político e, 16 anos após deixar o Parlamento, ainda fazia campanha ativamente pelo Reform UK e oferecia opiniões francas sobre os temas mais relevantes da atualidade”, disse a Cloud9 Management.

Os escândalos envolvendo Farage

Farage anunciou nesta terça-feira sua renúncia ao mandato parlamentar para forçar uma eleição antecipada em sua própria circunscrição, na qual planeja se candidatar novamente.

Figura central da campanha pelo Brexit – a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) – e cujo partido lidera as pesquisas nacionais, Farage está sob forte pressão devido a denúncias sobre doações e financiamentos supostamente não declarados de seu aliado de longa data George Cottrell, condenado por fraude, além de um suposto “presente” milionário que teria recebido de um empresário do ramo das criptomoedas.

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