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Alemanha integrará exercício nuclear francês pela 1ª vez
Países ampliam cooperação militar em meio a dúvidas sobre o papel dos EUA na defesa europeia. Chanceler federal alemão diz que país adota abordagem gradual que pode resultar em nova doutrina
A Alemanha anunciou nesta sexta-feira 17 que suas tropas participarão, pela primeira vez, de um exercício nuclear francês, que deve ocorrer ainda neste ano. O movimento simboliza o aprofundamento da cooperação estratégica entre Berlim e Paris, em meio a sinais de que os EUA buscam reduzir seus compromissos de defesa na Europa.
A decisão foi tomada durante um encontro entre o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, e o presidente francês, Emmanuel Macron, na Base Aérea de Nörvenich, perto de Colônia, na Alemanha, onde ambos presidiram uma sessão do Conselho de Defesa e Segurança Franco-Alemão.
Na ocasião, os dois líderes também concordaram em expandir a cooperação em inteligência artificial (IA), exploração espacial e tecnologia quântica.
Merz afirmou que a Alemanha quer fortalecer a dissuasão nuclear europeia. “Estamos adotando uma abordagem gradual e isso pode muito bem resultar em uma nova doutrina, mas é cedo demais para dizer isso hoje”, destacou, acrescentando que qualquer cooperação complementaria os acordos já existentes dentro da aliança da Otan.
A França é o único membro da União Europeia (UE) que possui suas próprias armas nucleares. A Alemanha abriga apenas armamento nuclear americano.
Outros oito países já concordaram em fortalecer a cooperação nuclear com a França: Reino Unido, Polônia, Holanda, Bélgica, Grécia, Suécia, Dinamarca e Noruega. Macron afirmou que a França continuará sendo totalmente responsável pelo financiamento de sua dissuasão nuclear.
Macron recebido com honras militares
Após a visita à base aérea, Merz recebeu Macron com honras militares em frente ao Palácio Augustusburg, em Brühl, onde dez ministros de cada país participaram de reuniões para discutir outros temas. Depois da cerimônia, um caça francês Rafale e um caça alemão Eurofighter sobrevoaram o local.
O palácio, ao sul de Colônia, tem um significado especial para as relações franco-alemãs. Foi ali que o então presidente francês Charles de Gaulle propôs um tratado de amizade ao chanceler federal alemão Konrad Adenauer em 1962.
Essa iniciativa levou ao Tratado do Eliseu, que continua sendo a base da cooperação entre os dois países.
“Estamos fazendo o que é necessário para proteger nossa liberdade, nossa segurança e nossa defesa coletiva”, disse Merz em uma entrevista coletiva conjunta na qual os dois líderes apresentaram uma lista de objetivos acordados, incluindo defesa antimísseis e sistemas de ataque de longo alcance.
Merz afirmou que a Alemanha e a França continuarão desenvolvendo um sistema de “combat cloud” que conecta aeronaves, drones e sensores. “Combat cloud” é o último pilar remanescente de um programa conjunto entre Alemanha e França que fracassou no início deste ano.
Sobre a fusão nuclear, um comunicado conjunto afirmou que os dois países “reconhecem o papel crucial da energia de fusão como uma solução segura, sustentável e neutra em carbono para atender às futuras necessidades energéticas da Europa e do mundo”. Em sentido contrário ao da França, a Alemanha desativou seu programa nuclear, fechando suas últimas usinas em 2024. O atual chanceler federal, porém, tem indicado interesse em reativar o programa.
Ambos também criticaram a China, afirmando que o país não está respeitando as regras do comércio internacional ao oferecer à sua indústria um nível de apoio estatal pelo menos oito vezes maior do que o observado em outros países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Questionado se se sentiria confortável em cooperar com Marine Le Pen, líder do grupo parlamentar da legenda de ultradireita Reagrupamento Nacional (RN), caso ela vença as próximas eleições francesas, Merz respondeu que a mão da Alemanha continuará estendida à França, independentemente de quem os eleitores escolherem.
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