Mundo
Marine Le Pen lança campanha presidencial na França apesar de condenação
Apesar da decisão judicial em processo por desvio de dinheiro, ela está autorizada a concorrer
A líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, iniciou sua campanha eleitoral nesta quarta-feira 8, um dia após anunciar sua candidatura às presidenciais, apesar de uma condenação por desvio de dinheiro.
Cercada por apoiadores e jornalistas na comuna de La Flèche, oeste da França, conquistada por seu partido, o Reagrupamento Nacional (RN), nas eleições municipais, Le Pen minimizou as críticas à sua candidatura.
Condenada novamente em segunda instância na terça-feira pelo caso dos empregos fictícios no Parlamento europeu, ela foi autorizada a concorrer às eleições, embora tenha anunciado que recorrerá da decisão ao Tribunal de Cassação da França, o que lhe permite evitar o uso de uma tornozeleira eletrônica durante a campanha.
“O tribunal restabeleceu minha elegibilidade. Sou inocente e apresentei um recurso ao Tribunal de Cassação para provar minha inocência”, declarou. “É preciso correr riscos para vencer”, acrescentou.
A dirigente, de 57 anos, prepara-se para disputar pela quarta vez a Presidência nas eleições do próximo ano, naquela que seu partido anti-imigração considera sua melhor oportunidade até agora para chegar ao poder.
Le Pen minimizou o risco de o Tribunal de Cassação rejeitar seu recurso antes do pleito e descartou as críticas à sua candidatura, concentrando o debate nas propostas políticas com as quais espera conquistar o Palácio do Eliseu.
“Não vou passar a campanha presidencial oferecendo análises jurídicas”, afirmou. “Se meus adversários políticos não tiverem outros argumentos além desses, significa que, no fundo, não têm absolutamente nada a oferecer aos franceses”, acrescentou.
Embora tenha sido recebida com entusiasmo por seus apoiadores, também foi vaiada por algumas dezenas de ativistas de esquerda que exibiam cartazes com o lema “Le Pen, condenada”.
Durante o ato, esteve ao lado de seu parceiro de chapa, Jordan Bardella, de 30 anos, que permanecia como possível candidato alternativo caso Le Pen tivesse ficado inabilitada para concorrer às eleições.
Em caso de vitória de Le Pen, Bardella é considerado o principal favorito para assumir o cargo de primeiro-ministro. Muito popular entre o eleitorado de direita, Bardella afirmou que não sente “nem alívio nem decepção” por não ser o candidato de seu partido.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.



