Justiça

STF condena deputados do PL por desvio de emendas

Relator do caso, Cristiano Zanin enquadrou o trio na prática de corrupção, mas afastou imputação de organização criminosa

STF condena deputados do PL por desvio de emendas
STF condena deputados do PL por desvio de emendas
Os deputados do PL Bosco Costa, Josimar Maranhãozinho e Pastor Gil. Fotos: Agência Câmara
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A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu por unanimidade, nesta terça-feira 17, condenar dois deputados federais e um ex-deputado, todos do PL, por cobrança de propina em um esquema de desvio de recursos provenientes de emendas parlamentares.

Votaram pela condenação o relator, Cristiano Zanin, e os ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia e Flávio Dino. A sentença atinge os deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA) e Pastor Gil (PL-MA) e o ex-deputado João Bosco (PL-SE). Também estão na lista de condenados João Batista Magalhães, Antônio José Silva Rocha, Adones Gomes Martins e Abraão Nunes Martins Neto.

Na avaliação de Zanin, a acusação demonstrou a prática do crime de corrupção passiva, mas não há comprovação de formação de organização criminosa — outra imputação que a denúncia da Procuradoria-Geral da República apresentava.

O julgamento começou na última terça-feira 10, dia em que a PGR reforçou a denúncia e pediu a condenação dos réus.

Para Zanin, há robustos elementos que comprovam autoria e materialidade do crime de corrupção passiva. Entre eles, há depósitos e transferências bancárias, informações obtidas na apreensão de telefones e computadores, diálogos entre os réus, interrogatórios e testemunhas. 

Resta, agora, a definição das penas, o que deve ocorrer ainda nesta terça-feira.

Saiba quais são as acusações da PGR contra os deputados:

Josimar Maranhãozinho

Atuou como chefe e líder da organização, coordenando a destinação de emendas e operacionalizando o pagamento de propinas aos demais integrantes. Compartilhava detalhes técnicos com o agiota Josival Cavalcanti da Silva, conhecido como ‘Pacovan’, já falecido, para facilitar a cobrança dos valores aos prefeitos.

A defesa alegou que Josimar e o prefeito de São José do Ribamar (MA), José Eudes, responsável pela denúncia à Justiça, eram adversários políticos entre 2019 e 2020, período em que as transferências teriam sido realizadas. Sobre as mensagens trocadas com ‘Pacovan’, que cobrava propina dos prefeitos, a defesa alegou que o deputado respondia de maneira “evasiva” e evitava se tornar um “desafeto” do agiota.

Pastor Gil

Além de enviar emendas, estava na linha de frente para pressionar prefeitos a “resolver” as pendências financeiras. Solicitou reuniões com José Eudes em locais neutros, como lanchonetes de shopping, para evitar vigilância.

Os advogados disseram que ‘Pacovan’ entrou em contato com o deputado “do nada” e passou  a cobrar propina. Alegaram que as mensagens encontradas no celular do parlamentar foram “interpretadas de maneira enviesada” pela PGR e que o acusado é “parte da engrenagem”, não o “autor” dos fatos.

João Bosco Costa

Responsável pelo envio de emendas, especialmente uma de 4,1 milhões de reais para São José de Ribamar, e por cobrar prioridade a esses pagamentos por meio de assessores.

A defesa disse que as conversas entre Bosco e Josimar tratavam de temas “completamente normais de parlamentares que dividem bancada”. Alegou ainda que os 75 mil reais transferidos de Josimar a Bosco se referem a um empréstimo.

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