Justiça

Zanin interrompe julgamento de denúncia contra Silas Malafaia

A análise do caso de injúria e calúnia contra generais começou com o voto de Alexandre de Moraes por tornar o pastor réu

Zanin interrompe julgamento de denúncia contra Silas Malafaia
Zanin interrompe julgamento de denúncia contra Silas Malafaia
O ministro Cristiano Zanin. Foto: Gustavo Moreno/STF
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O ministro Cristiano Zanin pediu vista e suspendeu o julgamento da denúncia contra o pastor Silas Malafaia na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal. O caso envolve acusações de injúria e calúnia contra integrantes do Alto Comando do Exército.

O pedido de vista suspende a deliberação até que o ministro devolva o caso para continuidade do julgamento no plenário virtual. Ele tem, em tese, 90 dias a mais para analisar os autos.

O julgamento começou com o voto do relator, o ministro Alexandre de Moraes, que se manifestou pelo recebimento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República. Para Moraes, a acusação descreve de forma adequada os fatos e apresenta indícios mínimos de existência do crime e da autoria, requisitos necessários para a abertura de uma ação penal.

O relator também rejeitou argumentos da defesa que contestavam a competência do STF no caso e alegavam ausência de justa causa para a denúncia. Segundo o ministro, há conexão entre os fatos investigados e outros procedimentos em trâmite na Corte.

A denúncia

De acordo com a acusação, Malafaia proferiu declarações ofensivas contra generais de quatro estrelas durante uma manifestação realizada em 6 de abril de 2025 na Avenida Paulista, em São Paulo. Entre os citados estão integrantes do Alto Comando do Exército, incluindo o comandante, general Tomás Paiva.

O pastor chamou os oficiais de “cambada de frouxos”, “cambada de covardes” e “cambada de omissos” em discurso no ato. A acusação também sustenta que ele atribuiu falsamente a prática de crime militar aos generais ao comentar a prisão do general Walter Braga Netto (PL).

“Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem. Não é para dar golpe, não, é para marcar posição”, disse Malafaia na ocasião.

Ainda conforme a denúncia, as declarações foram posteriormente divulgadas em perfis do próprio Malafaia nas redes sociais, ampliando o alcance das acusações. Para a Procuradoria-Geral da República, as afirmações configuram os crimes de injúria e calúnia, com agravantes por terem sido direcionadas a autoridades públicas em razão do cargo e disseminadas em ambiente público e virtual.

O julgamento

Nesta etapa, os ministros da Primeira Turma avaliam apenas se existem elementos suficientes para abrir uma ação penal. Caso a denúncia seja aceita, Malafaia passará à condição de réu e o processo seguirá para a fase de instrução, a fim de reunir provas e ouvir testemunhas antes do julgamento de mérito.

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