Justiça
Saiba quem é a única mulher condenada pela trama golpista
Marília Ferreira de Alencar teve a prisão preventiva determinada pelo ministro Alexandre de Moraes
A delegada de Polícia Federal Marília Ferreira de Alencar foi condenada pelo Supremo Tribunal Federal a oito anos e seis meses de prisão em regime fechado pela participação na trama golpista. Neste sábado 27, o ministro Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva da ré e de outros condenados dos núcleos 2, 3 e 4 em regime domiciliar.
A decisão aconteceu após a tentativa de fuga do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, preso no Paraguai e conduzido para a ‘Papudinha’, em Brasília.
As prisões preventivas foram determinadas devido ao alto risco de fuga do grupo. Enquanto as condenações não transitam em julgado – quando não há mais possibilidade de recorrer – o Supremo manterá as prisões em ambiente domiciliar. Mas, após a conclusão dos processos, Marília poderá ser conduzida para a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, onde ficará presa a ex-deputada federal Carla Zambelli, caso seja extraditada ao Brasil.
Durante a prisão, foram apreendidos dois passaportes nacionais e a identidade funcional de delegada, que lhe garantia o porte de arma em todo o território nacional. Além de uma pistola, um colete balístico, um distintivo e três computadores. Marília usará tornozeleira eletrônica e está proibida de acessar as redes sociais, de receber visitas e de se comunicar com os condenados pela trama golpista.
Entenda a condenação de Marília
Durante o período eleitoral em 2022, Marília exercia a função de Diretora de Inteligência do Ministério da Justiça, chefiado pelo ex-ministro Anderson Torres, preso na ‘Papudinha’, onde cumpre pena pela participação na tentativa de golpe de Estado. Quando Torres saiu do Ministério para chefiar a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, levou Marília, que ocupou o cargo de Subsecretária de Inteligência da pasta durante os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023.
A Procuradoria-Geral da República a acusou de interferir no segundo turno das eleições em 2022. Ela foi responsável pela elaboração de um boletim de inteligência para coletar dados sobre locais onde o então candidato Lula obteve votação expressiva no primeiro turno, com foco na Região Nordeste. Esses dados foram utilizados para direcionar operações de fiscalização da PRF em municípios onde o adversário do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vencia com mais de 75% dos votos, com o objetivo de dificultar o acesso dos eleitores às urnas.
Ela também foi acusada de omissão durante os atos antidemocráticos que resultaram na depredação na Praça dos Três Poderes. Como Subsecretária de Inteligência, Marília tinha a função de analisar e disseminar informações estratégicas para antecipar riscos. A PGR aponta que ela teve acesso a relatórios da Agência Brasileira de Inteligência e do Exército que alertavam explicitamente sobre convocações para os atos violentos.
Condenação no Supremo
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