Justiça

Rosa Weber desconsidera recomendação do CNJ e mantém preso homem que furtou shampoo

O presídio no qual o réu se encontra preso possui taxa de ocupação carcerária de mais de 150%

Rosa Weber desconsidera recomendação do CNJ e mantém preso homem que furtou shampoo
Rosa Weber desconsidera recomendação do CNJ e mantém preso homem que furtou shampoo
A ex-ministra do STF Rosa Weber. Foto: Carlos Moura/SCO/STF
Apoie Siga-nos no

A ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu na terça-feira 30 manter preso um homem que furtou dois frascos de shampoos no valor de R$10 cada um.

A decisão da ministra vai contra uma resolução divulgada pelo Conselho Nacional de Justiça sobre prisões em meio à pandemia do coronavírus. O texto sugere, entre outras coisas, a reavaliação de prisões provisórias e preventivas que resultem de crimes menos graves, além de indicar que novas ordens de prisão devem respeitar a ‘máxima excepcionalidade’.

O caso aconteceu no dia 1º de fevereiro, na cidade de Barra Bonita, interior de São Paulo. Após o furto em um estabelecimento, o réu foi preso em flagrante e na audiência de custódia sua prisão foi transformada em prisão preventiva por ele já ter sido preso por outros furtos, todos sem violência grave.

O réu então foi enviado para a Penitenciária I “Rodrigo dos Santos Freitas” de Balbinos, em Bauru (SP), que possui taxa de ocupação carcerária de mais de 150%.

Imediatamente, a Defensoria Pública de São Paulo entrou com um pedido de Habeas Corpus no Tribunal de Justiça do estado, mas foi negado com a justificativa de que o réu oferece risco para a sociedade por já ter sido preso por outros furtos, todos já concluídos pela Justiça.

O advogado Lucas Marques e o estudante de direito Gustavo Altman, que fazem a defesa do réu, entraram então com um pedido de soltura no Superior Tribunal de Justiça alegando a falta de requisitos para prender preventivamente alguém acusado de furto de 2 shampoos, além da pandemia do coronavírus que até o momento já matou quase 60 mil pessoas no Brasil.

A solicitação foi negada e o ministro Félix Fishcer decidiu manter o réu preso enfatizando o risco que ele oferece à sociedade.

A defesa então recorreu ao STF, novamente alegando o princípio da insignificância e a pandemia do coronavírus. O pedido mais uma vez foi negado. A decisão que contém os argumentos da ministra Rosa para manter o réu preso ainda não foi divulgada. A defesa diz que considera entrar com pedido de reconsideração da decisão.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

2026 já começou

Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.

A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.

Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.

Assine ou contribua com o quanto puder.

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo