Justiça
Presos por morte de jovem em rope jump são transferidos para presídio de Guarulhos
Em depoimentos, os três homens não souberam explicar os erros que levaram à queda de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas
Os três instrutores presos pela morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, lançada sem a corda de segurança em um salto rope jump, foram transferidos do Centro de Detenção Provisória de Piracicaba (SP) para o Centro de Detenção Provisória II de Guarulhos, na Grande São Paulo.
De acordo com o advogado Rafael Gomes dos Santos, que os representa, a transferência, realizada na terça-feira 15, ocorreu para preservar a integridade física dos acusados. A Secretaria de Administração Penitenciária disse que a mudança se deu por “questões administrativas”, sem detalhá-las.
Os suspeitos são Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos; Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos; e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos. Eles estão presos desde o dia da tragédia, no sábado 13, e tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva no dia seguinte. Ainda no sábado, o trio foi ouvido pela Polícia e não soube explicar o erro que levou ao à morte da garota. A íntegra das oitivas foi revelada pelo g1.
Luis Felipe e Maicon admitiram que eram os responsáveis por colocar as cordas antes do salto. Ambos, no entanto, não conseguiram detalhar a divisão de tarefas. Já Vitor Gonçalves afirmou que foi chamado para levantar a vítima antes do lançamento. Em outro momento do depoimento, ele afirmou que a equipe não sabe explicar o sumiço da câmera que estava na mão da jovem.
Relembre o caso
O trio faz parte de um grupo que oferecia os saltos de 40 metros de altura na Ponte do Esqueleto, entre Limeira (SP) e Cordeirópolis (SP), ao preço de 180 reais. Na manhã de sábado, o evento reuniu cerca de 100 participantes e foi promovido por grupos informais. Maria Eduarda escolheu a modalidade chamada “aviãozinho”, na qual o praticante não pula sozinho, mas é lançado pelos instrutores.
Testemunhas que presenciaram a cena relataram aos policiais que os responsáveis pela atividade esqueceram de conectar o equipamento de segurança (a corda) à jovem antes do salto. Equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu foram acionadas e compareceram ao local, mas a morte da vítima foi constatada ainda na área do acidente.
Diante do ocorrido e dos relatos colhidos no local, a Polícia Militar efetuou a prisão de seis pessoas que estavam envolvidas na organização do evento.
Nas imagens registradas do local, homens aparecem vestindo camisetas com as marcas das empresas “Entre Cordas” e “Ih Voei”. Um banner da empresa “Entre Cordas” também estava visível no ponto de partida da atividade. Até o momento, os representantes de ambas as empresas não foram localizados para se manifestar sobre o caso.
Pouco antes do salto fatal, a vítima havia feito uma publicação em seu perfil no Instagram. Na imagem, postada às 7h31, ela mostrava o local e inseriu a frase em tom de brincadeira: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte???”.
A jovem utilizava suas redes sociais para compartilhar fotos em contato com a natureza e praticando atividades ao ar livre. De acordo com a descrição de seu perfil, ela possuía formação em educação física e gestão esportiva.
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