Justiça

Presidente do TJ derruba liminar que obrigava uso de câmeras pela PM de São Paulo

Magistrado apontou que a adoção obrigatória aumentaria os custos da Operação Escudo e representaria um risco para a integridade dos policiais

Presidente do TJ derruba liminar que obrigava uso de câmeras pela PM de São Paulo
Presidente do TJ derruba liminar que obrigava uso de câmeras pela PM de São Paulo
Operação Escudo - Mastrangelo Reino/Governo de SP
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O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ricardo Anafe, derrubou uma decisão liminar que obrigava agentes integrantes da Operação Escudo a utilizarem as câmeras corporais em seus uniformes. 

A decisão atendeu a um pedido do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e foi protocolada horas depois da concessão da liminar, na última sexta-feira 22. 

O magistrado entendeu que a adoção obrigatória do equipamento aumentaria os custos da operação e representaria um risco para a integridade dos policiais. 

Na opinião do desembargador, os criminosos poderiam aumentar a letalidade dos ataques caso soubessem que a operação policial seria desativada pela falta das câmeras. 

“Caso mantida a decisão, por serem as operações ‘Escudo’ muitas vezes realizadas em regime de urgência, sem tempo necessário para o deslocamento de forças policiais ou câmeras para áreas distantes, as regiões do Estado que hoje não contam com Unidades da Polícia Militar que possuam COPs [câmeras operacionais portáteis] ficariam sem poder receber o apoio de operações”, escreveu Anafe.

A ação que pedia o uso obrigatório de câmeras pelos agentes, protocolada pela Defensoria Pública estadual e pela ONG Conectas Direitos Humanos, citava uma série de indícios de que policiais cometeram excessos durante as ações, como denúncias de familiares e moradores de que vítimas foram executadas ou torturadas.

A operação começou em julho, após a morte do PM Patrick Reis. Em pouco mais de um mês, a primeira fase da Escudo deixou 28 mortos e entrou para a história como a segunda ação mais letal da polícia em São Paulo, atrás apenas do Massacre do Carandiru, em 1992.

Em 5 de setembro, o governo estadual anunciou o fim da operação na região. No entanto, uma nova Operação Escudo foi anunciada dias depois, em São Vicente, na região metropolitana de Santos. 

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