Justiça
PGR denuncia TH Joias, Bacellar e desembargador por vazar informações sigilosas ao CV
Se a acusação for aceita, os denunciados viram réus e passaram a responder formalmente a uma ação penal na Corte
A Procuradoria-Geral da República denunciou cinco pessoas ao Supremo Tribunal Federal por obstrução de Justiça relacionada ao vazamento de informações sigilosas para a facção criminosa Comando Vermelho. A peça assinada pelo PGR Paulo Gonet Branco foi protocolada ao gabinete do ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, na última sexta-feira 13.
Entre os alvos estão o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União) e o ex-deputado estadual TH Joias (sem partido), além do desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto. Agora, cabe ao Supremo decidir se aceita ou não a denúncia apresentada pela Procuradoria.
Se a acusação for aceita, os denunciados viram réus e passaram a responder formalmente a uma ação penal na Corte.
Veja a lista de denunciados:
- Rodrigo da Silva Bacellar
- Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias
- Macário Ramos Júdice Neto
- Jéssica de Oliveira Santos, esposa de TH Joias
- Thárcio Nascimento Salgado, assessor parlamentar de TH Joias
Segundo a PGR, os denunciados atuaram juntos para prejudicar a Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025 com o objetivo de desarticular uma organização criminosa liderada por integrantes do CV que era dedicada à prática de tráfico internacional de armas de fogo e entorpecentes, corrupção, lavagem de capitais e outros delitos.
Entre os alvos da batida da Polícia Federal estava TH Joias que, segundo as investigações, teria sido avisado previamente sobre a ação policial. A denúncia afirma que o desembargador federal Macário Neto teria revelado antecipadamente a Bacellar informações sigilosas sobre medidas cautelares que seriam cumpridas naquela operação, autorizadas pelo próprio magistrado.
Amigos próximos, os dois teriam se encontrado na véspera da operação, quando trataram da ação policial. Na sequência, o então presidente da Alerj avisou seu colega de Parlamento sobre a investigação, o que teria permitido que ele retirasse computadores e outras mídias do seu gabinete na Casa, além de deixar sua residência.
TH foi encontrado pela polícia no apartamento de seu assessor parlamentar, Thárcio Nascimento, que o ajudou a apagar evidências digitais. A esposa do parlamentar, por sua vez, também é acusada de ajudar o companheiro na ocultação das provas que estavam na residência do casal.
“Os elementos de que os autos estão refertos, portanto, não deixam dúvidas de que os denunciados obstruíram a investigação de infração penal que envolve organização criminosa armada, mediante o concurso de funcionário público, valendo-se a organização criminosa dessa condição para a prática de infração penal”, escreveu Gonet na denúncia.
A defesa de Macário afirmou lamentar que “toda a narrativa desenvolvida pela acusação seja fruto de ilações e conjecturas que não se sustentam diante da lógica mais elementar e dos elementos concretamente reunidos ao longo da investigação”. A equipe jurídica de Bacellar, por sua vez, disse considerar que a acusação da PGR “está baseada em ilações e narrativas repetidamente refutadas”. Os demais denunciados ainda não se manifestaram.
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