Justiça

PF prende pastor Márcio Poncio em nova fase da Operação Unha e Carne no Rio

Investigação aprofunda apuração sobre suspeitas de lavagem de dinheiro ligadas ao jogo do bicho e mira possível ramificação do esquema entre agentes públicos

PF prende pastor Márcio Poncio em nova fase da Operação Unha e Carne no Rio
PF prende pastor Márcio Poncio em nova fase da Operação Unha e Carne no Rio
O pastor Márcio Poncio. Foto: Reprodução redes sociais
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A Polícia Federal prendeu, na manhã desta quinta-feira 2, o pastor e empresário Márcio Poncio durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro relacionado à nova cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro. A ofensiva também teve como alvos o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, e o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil) – ambos já estavam presos.

A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que expediu três mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão, além de determinar o sequestro de bens e valores de até 22 milhões de reais. Entre os alvos das buscas está o ex-deputado federal Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral

Segundo a Polícia Federal, esta etapa da investigação busca aprofundar os indícios de lavagem de dinheiro atribuídos ao grupo liderado por Adilsinho e apurar uma possível extensão do esquema envolvendo integrantes dos Poderes Executivo e Legislativo do Estado do Rio de Janeiro.

A corporação afirma que a nova fase teve origem após a apreensão de planilhas que registrariam supostos pagamentos irregulares, doações eleitorais e movimentações financeiras compatíveis com lavagem de capitais. De acordo com os investigadores, esse material aponta possíveis repasses de recursos a agentes políticos fluminenses.

Márcio Poncio foi preso em um imóvel na Barra da Tijuca, na zona oeste da capital fluminense. Pastor da Igreja da Nuvem e empresário do setor de cigarros, ele é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ) e do cantor Saulo Poncio. A investigação apura sua suposta ligação com o esquema atribuído à chamada “Máfia do Cigarro”, cuja liderança é atribuída pela PF a Adilsinho.

A Operação Unha e Carne começou, no fim de 2025, investigando um suposto vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho. Com o avanço das apurações, o foco foi ampliado para incluir suspeitas de proteção ao crime organizado, lavagem de dinheiro e conexões entre integrantes da organização criminosa e agentes públicos.

Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, tornou-se um dos principais investigados e acabou sendo preso novamente após a cassação de seu mandato e denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República.

Em outra fase da operação, também foi preso o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, suspeito de participação no suposto esquema de vazamento de informações.

A investigação integra as medidas determinadas pelo STF no âmbito da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, que atribuiu à Polícia Federal a condução de apurações sobre a atuação de organizações criminosas no Rio de Janeiro e suas eventuais conexões com agentes públicos. 

CartaCapital tentou localizar as defesas dos alvos da operação desta quinta-feira. O espaço segue aberto. 

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