Justiça

O rumo das investigações do Caso Master diante do impasse na delação de Vorcaro

Para a Polícia Federal, uma recusa definitiva do acordo não impediria o avanço das investigações nem a identificação de eventuais culpados

O rumo das investigações do Caso Master diante do impasse na delação de Vorcaro
O rumo das investigações do Caso Master diante do impasse na delação de Vorcaro
O banqueiro Daniel Vorcaro. Foto: Divulgação
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A Polícia Federal possui elementos suficientes para prosseguir com as investigações sobre o Banco Master, mesmo sem a colaboração do ex-CEO da instituição, Daniel Vorcaro. A leitura de bastidores é de que uma eventual recusa definitiva da delação premiada por parte da PF e da Procuradoria-Geral da República, a essa altura, não impediria os investigadores de encontrar culpados.

Até aqui, o banqueiro tem evitado comprometer aliados. Sustenta que suas relações são “republicanas” e costuma apresentar informações que a polícia já tem. Sob a análise dos peritos, estão nove celulares de Vorcaro e uma série de quebras de sigilo cujos resultados precisam ser enviados ao Supremo Tribunal Federal.

O gabinete de André Mendonça, relator do caso na Corte, ainda precisa analisar as buscas contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) – investigado por receber vantagens econômicas indevidas – e Cláudio Castro (PL), ex-governador do Rio de Janeiro – por suspeitas de fraude bilionária na previdência carioca via Master. Eles foram alvos de operações da PF em maio. Há, além dessas, outras quebras em análise.

Interlocutores do ministro dizem que a homologação da delação de Vorcaro observará se todos os dados oferecidos pelo banqueiro contribuíram de fato com as investigações ou apenas as reforçaram.

Não haveria, porém, resistência caso apenas a PGR firmasse um acordo com Vorcaro, apesar da insatisfação mais evidente da Polícia Federal. O ministro não contestaria esse ponto, sobretudo porque cabe à Procuradoria, como ‘dona’ da ação penal, oferecer eventual denúncia.

O problema, segundo aliados, surgiria se a PGR classificasse a proposta como robusta e a PF sustentasse o contrário. Conforme apurou a reportagem, os investigadores estão dispostos a manter abertas novas tratativas de colaboração com o empresário. A expectativa é que as negociações sigam enquanto as apurações estiverem em curso.

A princípio, Vorcaro deve permanecer na cela especial da Superintendência da PF. A corporação, no entanto, deve pedir ainda na próxima semana sua transferência para uma cela comum, caso rejeite nos próximos dias a última oferta apresentada por ele.

Embora tenha a palavra final, a decisão de Mendonça sobre a proposta de delação será submetida ao referendo da Segunda Turma do Supremo. É provável que a defesa de Vorcaro conteste um eventual indeferimento por meio de agravo regimental. Sem muitos aliados no colegiado, o ministro tampouco demonstra empenho em costurar essas relações. Prefere, em movimentos discretos, uma postura pouco intervencionista.

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