Justiça

O impasse no TSE sobre crime de boca de urna nos stories do Instagram

O ministro Kassio Nunes Marques, próximo presidente da Corte, pediu vista e interrompeu a votação

O impasse no TSE sobre crime de boca de urna nos stories do Instagram
O impasse no TSE sobre crime de boca de urna nos stories do Instagram
Facebook, Instagram e WhatsApp. Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
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O ministro Kassio Nunes Marques pediu vista e interrompeu, na terça-feira 7, um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral que definirá se um story do Instagram com a relação de candidatos apoiados pelo usuário configura o crime de boca de urna digital.

A discussão na Corte começou em dezembro passado. No caso concreto, os ministros se debruçam sobre recurso apresentado pela prefeita de São Domingos do Norte (ES), a emedebista Ana Malacarne, contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral capixaba que a condenou pelo delito. No dia das eleições de 2022, ela publicou no Instagram a imagem de sua “cola eleitoral” com os números dos candidatos em que votaria — a postagem ficou disponível para seus seguidores por 24 horas.

O entendimento do TRE-ES seguiu a posição do Ministério Público Eleitoral, que defendeu a aplicação da pena de seis meses de detenção e multa.

Relatora do caso no TSE, a ministra Estela Aranha votou por reformar a decisão e absolver Ana Malacarne. Na avaliação da magistrada, a publicação representava apenas uma manifestação individual e silenciosa da preferência do eleitor. O ministro Antonio Carlos Ferreira pediu vista em seguida e retomou o julgamento na última terça, inaugurando a divergência.

Ferreira destacou, por exemplo, que a prefeita incluiu na postagem as mensagens “vote certo” e “vamos juntos”, o que caracterizaria pedido explícito de voto. Ele votou por manter a condenação.

Kassio Nunes Marques, na sequência, interrompeu a análise pela segunda vez. Ele será o próximo presidente do TSE e estará à frente da Corte durante as eleições de outubro.

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