Justiça

O caso Master depois do fracasso das delações

O naufrágio das negociações obriga a Polícia Federal a depender de uma massa ainda não analisada de documentos e dados financeiros

O caso Master depois do fracasso das delações
O caso Master depois do fracasso das delações
O ex-presidente do Banco Master Daniel Vorcaro. Foto: Banco Master/Reprodução
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As delações do ex-CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, e do ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, já podem ser consideradas descartadas. No entendimento da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal, ambos nunca estiveram, de fato, dispostos a apresentar informações novas e suficientemente abrangentes.

Sem a colaboração dos principais personagens, a PF terá de reconstruir sozinha uma rede que alcança agentes financeiros, servidores públicos, políticos e influenciadores, sob a pressão adicional de esclarecer menções a integrantes do próprio Supremo. Cerca de 20 profissionais, entre delegados, peritos e analistas, participam do trabalho.

Atualmente, são cinco os núcleos em apuração. O primeiro envolve servidores do Banco Central suspeitos de facilitar operações irregulares do Master. O segundo, a tentativa de salvamento do banco por meio do Banco de Brasília. O terceiro, o uso do Crescesta em operações destinadas, segundo a suspeita, a inflar carteiras de crédito. O quarto trata da compra de precatórios que teriam sido expedidos antes do encerramento dos respectivos processos judiciais. O quinto, finalmente, se concentra na rede de relações construída por Vorcaro, incluindo pagamentos às autoridades e influenciadores.

Até agora, não há informação pública de que essas referências a figurões do Judiciário tenham produzido uma linha autônoma de investigação. Um delegado experiente em investigações de grande porte, ouvido sob reserva, afirma que uma tentativa coordenada de blindagem seria difícil de sustentar. Um eventual acordo entre investigadores da PF, integrantes da PGR e membros do STF dependeria de um grau de alinhamento improvável e exposto a uma série de inconsistências.

Pesa, neste cálculo, a possibilidade de que vazamentos ou excessos abram caminho para pedidos de anulação, em um roteiro semelhante ao que sepultou a Lava Jato. Procuradores que acompanham o caso rebatem a comparação. Dizem que as prisões foram fundamentadas, os vazamentos, isolados, e a PGR não interferiu no trabalho da Polícia Federal.

O relator do caso, ministro André Mendonça, tem dito a interlocutores que não participa das negociações de colaboração enquanto elas estão em curso. Afirma também que evita determinar diligências por iniciativa própria, embora o regimento interno do Supremo permita ao relator requisitar informações ou determinar providências.

O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, informou que a corporação enviará em breve ao relator um relatório preliminar sobre o caso – contendo, também, as providências consideradas necessárias para o prosseguimento.

O material também servirá para que a PGR avalie se as linhas de apuração foram suficientemente exploradas. Caso entenda que determinados fatos ou referências a autoridades não foram examinados de maneira adequada, a Procuradoria poderá pedir diligências complementares.

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