Justiça

‘Não confundamos jornalistas investigativos com investigados’: Moraes reage a críticas contra busca a fonte de jornalista

O ministro sustenta que a segurança de Flávio Dino esteve ’em risco real’

‘Não confundamos jornalistas investigativos com investigados’: Moraes reage a críticas contra busca a fonte de jornalista
‘Não confundamos jornalistas investigativos com investigados’: Moraes reage a críticas contra busca a fonte de jornalista
Relator. O ministro Alexandre de Moraes já encaminhou os autos para a AGU e a PGR – Imagem: Gustavo Moreno/STF
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, se manifestou publicamente nesta quinta-feira 13 a respeito de medida de busca e apreensão determinada por ele contra um homem apontado como fonte do blogueiro maranhense, Luis Pablo Conceição Almeida, investigado por suposta perseguição ao ministro Flávio Dino.

A manifestação de Moraes ocorreu após o presidente do STF, Edson Fachin, prestar solidariedade pública a Dino antes da abertura da sessão de julgamentos e defender a ‘primazia’ do direito constitucional ao sigilo de fonte. A medida de Moraes foi duramente criticada por associações de imprensa, que rechaçaram a quebra de sigilo da fonte, uma garantia prevista na Constituição Federal, por decisão judicial.

Ao microfone, o ministro, que é relator do caso na Corte, afirmou que a segurança de Dino “foi colocada em risco real por uma organização criminosa”. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República suspeitam de práticas ilícitas, mas as investigações não foram encerradas, não havendo também manifestação das defesas dos investigados nos autos.

“Tanto a representação da PF quanto o parecer da PGR indicaram prova cabal de materialidade e fortes e concretos indícios de autoria criminosa dos investigados, sejam eles advogados, sejam eles jornalistas, apontando principalmente o liame subjetivo entre os executores das infrações penais, inclusive com repasse de dinheiro, entre eles, ou seja, um repasse de dinheiro para a prática de divulgação de informações criminosamente obtidas”, sustentou Moraes.

As investigações iniciais apontam que houve uma transferência bancária de 100 mil reais de um advogado a Luis Pablo. A defesa afirma que o profissional repassava aos jornalistas orientações jurídicas antes da publicação das reportagens sobre Dino e diz que o dinheiro seria um empréstimo para quitar o financiamento de um imóvel.

“Sigilo de fonte é uma garantia constitucional consagrada por essa Suprema Corte, mas nunca se confundiu e nunca e jamais se confundirá como escudo protetivo para a prática de atividades ilícitas”, ressaltou Moraes. “Não confundamos jornalistas investigativos com jornalistas investigados pelas práticas criminosas”, completou.

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