Justiça

MTE divulga Lista Suja do Trabalho Escravo com 289 empregadores

Lista atualizada tem 132 novos nomes de empregadores que submeteram pessoas à condição análoga à escravidão; Minas Gerais é o estado que lidera entre os nomes atualizados, com 35 casos

MTE divulga Lista Suja do Trabalho Escravo com 289 empregadores
MTE divulga Lista Suja do Trabalho Escravo com 289 empregadores
Foto: Cid Vaz/TV Bahia
Apoie Siga-nos no

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) atualizou, nesta quarta-feira 5, a Lista Suja do Trabalho Escravo. Segundo o novo documento do MTE, foram acrescentados 132 novos nomes, totalizando 289 empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão.

Quando um empregador é incluído na lista, o nome dele permanece listado pelo período de dois anos e, em seguida, é retirado. Para que um nome seja incluído, é necessário, segundo o MTE, que não caiba mais recurso nos processos administrativos referentes aos casos de trabalho escravo identificados pela Inspeção do Trabalho.

Na atualização de hoje, foram incluídas 109 pessoas físicas e 23 pessoas jurídicas, localizadas em 19 das 27 unidades da Federação. Dos novos nomes, 35 se referem a negócios realizados em Minas Gerais (MG), que lidera entre os estados. Em seguida, aparecem os estados de Goiás e Piauí, com 15 e 13 casos, respectivamente.

Um dos empregadores incluídos na lista é Alírio Caetano dos Santos Junior. Segundo o MTE, 78 pessoas foram resgatadas de condição análoga à escravidão, em março de 2020, em uma Casa de Recuperação, de propriedade de Alírio, para pessoas dependentes de álcool e drogas, em Ceilândia, no Distrito Federal. Pessoas em situação de rua eram contratadas para trabalharem na fábrica de Alírio Caetano. No processo frente ao Ministério do Trabalho, os trabalhadores narraram que apanhavam dele e outros ajudantes da fazenda com barras de ferro.

Ao Repórter Brasil, Alírio Caetano comentou o caso, chamando de “lamentável” a inclusão do seu nome na Lista Suja. “Eu tinha uma casa de recuperação, e nessa casa a gente tirava 10, 20 pessoas por dia da rua. E o pessoal resgatado ia para uma chácara, se recuperava, e depois tinha uma moradia e uma oportunidade de trabalhar. […]. E aí vem o governo e diz que eles tinham que ter todos aqueles direitos trabalhistas”, disse Alírio Caetano, que questionou: Quanto à violência, não tinha. O cara todo dia ia na rua, se ele era violentado, por que ele não ia embora e ficava? […] Cadê os boletins de ocorrência, cadê as provas?”.

Outro empregador incluído na lista é Guilherme Sodré Alckmin Júnior, produtor de café da cidade de Heliodora, no sul de Minas Gerais (DF). Em 2021, vinte trabalhadores foram resgatados de condição análoga à escravidão na Fazenda Floresta, de propriedade de Guilherme Júnior. Segundo as denúncias, os trabalhadores eram obrigados a pagar pela máquina utilizada para a colheita do café, pela alimentação, aluguel e gás, bem como pelas botas e luvas usadas no trabalho. Em 2020, Guilherme foi finalista do Prêmio Ernesto Illy, promovido pela multinacional italiana Illy Caffè e que premia produtores de café.

CartaCapital tentou contato com Guilherme Júnior, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.

A maior parte dos nomes incluídos na lista atualizada são de empregadores cujos negócios se realizam em fazendas, envolvendo, por exemplo, a agricultura. Outro setor relevante nos negócios incluídos na Lista Suja do MTE é o de construção.

De acordo com Maurício Krepsky, chefe da Divisão de Fiscalização para a Erradicação do Trabalho Escravo (Detrae), a agilidade nos processos administrativos relativos ao trabalho análogo à escravidão, juntamente com o aumento no número de ações fiscais, contribuíram para o alto número de empregadores incluídos na lista.

“Estar na lista suja significa que o empregador submeteu trabalhadores à condição análoga à de escravo e o governo brasileiro reconheceu isso por meio da inspeção do trabalho”, observou Krepsky.

Em 2020, o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou uma ação declarando a constitucionalidade da Lista Suja do trabalho escravo. À época, a lista, que chegou a ser suspensa durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi questionada pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc).

No início de março, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que o Ministério pretende ampliar o rigor nas punições às empresas que constam na lista suja. Segundo ele, as empresas que entrarem na lista e tiverem empréstimos com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) experimentarão a execução sumária da dívida. As empresas, segundo o ministro, ficarão impedidas “de tomar financiamento público e de fazer prestação de serviços públicos”, sem prejuízo das ações nos âmbitos trabalhista e criminal.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo