Justiça

MPF denuncia Frederick Wassef e mais quatro por lavagem de dinheiro

Advogados teriam recebido dinheiro público por serviços que não foram prestados, diz a denúncia

Advogado Frederick Wassef. Foto: AFP
Advogado Frederick Wassef. Foto: AFP
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O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o advogado Frederick Wassef no âmbito da operação E$quema S, que investiga desvios milionários nas seções fluminenses do Serviço Social do Comércio (Sesc-RJ), do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-RJ) e da Federação do Comércio (Fecomércio-RJ), entre 2012 e 2018.

Além de Wassef, foram denunciados o ex-presidente da Fecomércio Orlando Diniz, o empresário Marcelo Cazzo e as advogadas Luiza Nagib Eluf e Marcia Carina Castelo Branco Zampiron.

Segundo o MPF, o esquema criminoso consiste no desvio de valores por meio de pagamentos feitos por Orlando Diniz, como único gestor das entidades do Sistema S no Rio de Janeiro. Ele teria feito transações financeiras sob o pretexto de serviços advocatícios, judiciais ou extrajudiciais, porém, diz a denúncia, esses serviços não foram prestados “conforme o respectivo escopo contratual”.

Em seis oportunidades distintas, entre 15 de dezembro de 2016 e 19 de maio de 2017, 4,6 milhões de reais teriam sido desviados por recursos do Sesc-RJ e Senac-RJ, por Orlando Diniz, Marcelo Cazzo, Frederick Wassef e Marcia Zampiron, com auxílio de Luiza Nagib Eluf, denuncia o MPF.

Esse valor teria sido dividido entre os advogados: 1.163.900 milhão de reais para Luiza, 2.685 milhões de reais para Wassef e 751.100 mil reais para Marcia. Esses repasses foram feitos por “serviços que efetivamente não foram prestados, relativo a contrato ideologicamente falso, firmado entre a Fecomércio-RJ e o escritório Eluf e Santos Sociedade de Advogado”, de propriedade de Luiza.

Em sete oportunidades distintas, prossegue o MPF, Wassef e Marcia orientaram Diniz, Cazzo e Luiza para ocultar e dissimular a origem, a natureza, a disposição, a movimentação e a propriedade do dinheiro, para distanciar o dinheiro da origem ilícita. A denúncia reporta a emissão de seis notas fiscais ideologicamente falsas.

O MPF diz enxergar prática dos crimes de lavagem de dinheiro e peculato – este último configura desvio de dinheiro público, já que os recursos do Sistema S são provenientes de repasses da Receita Federal.

Com a palavra, Frederick Wassef

Em nota, Wassef negou as acusações e afirmou que a operação está “criminalizando a advocacia no Brasil”. Segue a nota na íntegra.

“Estão criminalizando a advocacia no Brasil. Eu não tenho e nunca tive qualquer relação comercial com a FECOMERCIO, não fui contratado por eles, não recebi um único centavo desta entidade e jamais negociei com eles.

Fui contratado e prestei serviços advocatícios a um renomado escritório de advocacia criminal de São Paulo, em que a dona é uma famosa procuradora do Ministério Público de São Paulo, conhecida por ter dedicado toda sua vida e carreira a instituição Ministério Público e o combate ao crime, tratando-se de pessoa pública, íntegra, proba e de idoneidade inquestionável.

Os serviços advocatícios foram devidamente prestados, os honorários foram declarados à receita federal e os impostos pagos.

Após dois anos de investigação da FECOMERCIO, jamais fui intimado ou convocado por qualquer autoridade a prestar qualquer esclarecimento. Desde o início da referida operação “esquema” não fui investigado e ao final não fui denunciado, pois sempre souberam que jamais participei de qualquer esquema.

Estranhamente após a denúncia de todos os advogados citados na referida operação sofri uma busca e apreensão em que nada foi apreendido por não terem encontrado qualquer irregularidade e mais estranhamente ainda resolveram oferecer uma denúncia relâmpago, isolada, baseada em absolutamente nada contra minha pessoa.

A denúncia do Ministério Público Federal é inepta e não descreve qualquer conduta praticada por mim ou mesmo qualquer crime, tendo se limitado a narrar simplesmente pagamentos de honorários advocatícios por serviços devidamente prestados, inovando no Brasil, transformando o regular exercício da advocacia em crime, de forma irresponsável e sem medir as consequências de dano de imagem e reputação a minha pessoa.

Nunca em minha vida respondi a qualquer processo ou fui investigado, sempre tive um nome limpo e sequer em 28 anos de advocacia tive uma única representação em meu desfavor perante a Ordem dos Advogados do Brasil.”

Com a palavra, Marcelo Cazzo

Em nota, o empresário Marcelo Cazzo também negou as acusações.

“A denúncia é absolutamente descabida. A defesa enfatiza que Marcelo Cazzo sempre esteve à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos, jamais praticou qualquer ilegalidade e fará prova da sua inocência durante a tramitação do processo.”

Com a palavra, Luiza Nagib Eluf

A advogada Luiza Eluf recebeu com absoluta perplexidade a notícia do oferecimento da denúncia. Ela sempre trabalhou de forma correta e transparente, com atuação rígida nos termos da Lei. Repentinamente, é surpreendida com uma perseguição desvinculada da realidade. A defesa já havia feito contato com o Ministério Público Federal e solicitado que ela fosse ouvida presencialmente e aguardava que a data fosse marcada.

As advogadas Izabella Borges e Maíra Fernandes, que defendem Luiza Eluf, acreditam que a Justiça do espetáculo pode causar infinitos danos ao país! Luiza Eluf reforça que não praticou crime algum, que o serviço foi prestado conforme contrato, as notas emitidas, os tributos recolhidos, e sua inocência será comprovada.

CartaCapital procurou Marcia Zampiron, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestações.

Victor Ohana

Victor Ohana Repórter do site de CartaCapital

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