Justiça

MP processa empresas por coleta de íris em troca de criptomoedas

A Promotoria requer o pagamento de 240 milhões de reais por danos morais coletivos

MP processa empresas por coleta de íris em troca de criptomoedas
MP processa empresas por coleta de íris em troca de criptomoedas
Câmera Orb, que captura a íris. Foto: TFH/Reprodução
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A Promotoria de Justiça do Consumidor do Ministério Público de São Paulo protocolou uma ação civil pública contra as empresas Tools for Humanity (TFH), responsável pelo projeto World ID, e Amazon AWS Serviços Brasil Ltda.

O processo contesta a coleta massiva de dados da íris de consumidores na capital paulista, com base nos relatórios produzidos durante a CPI da Íris, na Câmara Municipal de São Paulo.

De acordo com a promotora de Justiça Patrícia Leitão, encarregada do caso, as atividades de captação da biometria ocular ocorreram sob práticas abusivas, como publicidade enganosa, exploração da vulnerabilidade do público e vício no consentimento dos cidadãos.

O órgão sustenta que as abordagens se direcionaram principalmente a populações vulneráveis em locais de grande movimento, como estações de metrô e postos do Poupatempo, e envolviam a oferta de dinheiro e criptomoedas em troca do escaneamento ocular, sem explicar a finalidade comercial, o tratamento das informações sensíveis e o envio do material ao exterior.

A Promotoria solicita a interrupção imediata de qualquer coleta de dados biométricos mediante pagamento até a conclusão de uma perícia judicial sobre o armazenamento e o manuseio dos dados.

A ação também exige a preservação de todos os registros e informações pessoais mantidos pelas companhias, a apresentação de contratos e relatórios técnicos sobre seu armazenamento, e a identificação da empresa do grupo Amazon responsável pela hospedagem dos dados.

A Promotoria requer ainda o pagamento de 240 milhões de reais por danos morais coletivos e o ressarcimento por eventuais prejuízos individuais causados aos consumidores.

Em janeiro, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados determinou a suspensão do pagamento de criptomoeda ou de qualquer compensação financeira pela coleta de íris de brasileiros. A ação tem como alvo a TFH, que oferecia cerca de 600 reais em criptomoedas pela coleta de dados. Segundo a apuração do órgão, mais de 400 mil pessoas tiveram a íris escaneada em troca de recompensas financeiras que variavam entre 300 e 700 reais.

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