Justiça
Moraes agenda o interrogatório de ex-assessor do TSE investigado por vazar mensagens
A Defensoria Pública da União representará Eduardo Tagliaferro
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Defensoria Pública da União passe a trabalhar na defesa de Eduardo Tagliaferro, seu ex-assessor no Tribunal Superior Eleitoral. O interrogatório acontecerá em 28 de abril.
O perito é réu na Corte por violação de sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação envolvendo organização criminosa, além de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
No mês passado, Moraes agendou a primeira audiência de instrução do caso, mas os responsáveis pela defesa de Tagliaferro não compareceram. Por isso, o ministro considerou que houve abandono da causa e anulou a oitiva, remarcando-a para 28 de abril.
Na ocasião, com a ausência do réu e de seus advogados, a Defensoria foi acionada para comparecer à oitiva. O órgão, porém, solicitou a anulação do encontro sob o argumento de “flagrante cerceamento de defesa”, já que não teve tempo suficiente para se preparar após ser incluída no processo. A nova audiência ouvirá as testemunhas indicadas pela acusação.
O ex-assessor de Moraes vive na Itália. Em setembro de 2025, foi detido pelas autoridades italianas, mas recebeu liberdade provisória enquanto não há deliberação sobre o pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro.
De acordo com a Procuradoria-Geral da República, Tagliaferro teria encaminhado à imprensa mensagens e dados sigilosos trocados com servidores do STF e do TSE, onde o perito foi assessor de Moraes. De acordo com as investigações da Polícia Federal, o próprio Tagliaferro teria admitido à esposa o repasse de informações confidenciais ao jornal Folha de S.Paulo. A PGR sustenta que ele ameaçou divulgar novas informações sigilosas após deixar o País, o que configuraria coação no curso do processo.
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