Justiça

Liminar suspende ação penal contra Marcelo Crivella no ‘QG da Propina’

O deputado é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Ele já sofreu um revés na Justiça Eleitoral

Liminar suspende ação penal contra Marcelo Crivella no ‘QG da Propina’
Liminar suspende ação penal contra Marcelo Crivella no ‘QG da Propina’
O ex-prefeito do Rio de Janeiro Marcelo Crivella. Foto: EBC
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O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro concedeu uma liminar para suspender a ação penal que apura a participação do deputado federal Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) no chamado “QG da Propina”. A decisão, contra a qual cabe recurso, foi assinada na última terça-feira 22.

Crivella é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. As práticas teriam ocorrido em seu mandato de prefeito do Rio de Janeiro, entre 2017 e 2020.

Segundo a juíza Kátia Valverde Junqueira, há “ausência de justa causa e inépcia da denúncia”. Ela concluiu que a peça se apoia “exclusivamente em colaboração premiada”, sem o devido respaldo probatório.

“A ausência de elementos externos de corroboração torna a denúncia juridicamente insustentável, configurando hipótese investigativa lastreada única e exclusivamente em acordo de colaboração premiada, o que não se mostra suficiente para o prosseguimento da persecução penal”, afirma a magistrada.

De acordo com Junqueira, nenhuma evidência convincente teria surgido ao longo dos quatro anos de tramitação do processo.

A decisão também tem como base o entendimento do Supremo Tribunal Federal que, em janeiro de 2024, eliminou do processo a acusação de falsidade ideológica eleitoral — prática conhecida como caixa dois. As demais imputações, porém, permaneceram.

Como se trata de uma decisão liminar, ainda será necessário que o colegiado se pronuncie. O ex-prefeito do Rio comemorou a decisão. “Deus é justo. Com toda resiliência e humildade, confio em Deus e na Justiça”, disse ao portal g1.

O “QG da Propina”

O episódio que ficou conhecido como “QG da Propina” marcou os últimos dias da administração Crivella na prefeitura do Rio. O então prefeito foi preso em dezembro de 2020, apenas nove dias antes do fim de seu mandato. Posteriormente, a Justiça revogou a prisão.

De acordo com o Ministério Público, o esquema seria liderado por Crivella, que teria o empresário Rafael Alves como principal articulador de contratos públicos. A acusação sustenta que a organização utilizava setores da administração municipal para fazer arrecadação ilícita, movimentando mais de 50 milhões de reais.

O caso teve desdobramentos em diferentes instâncias. Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou recurso da defesa e manteve as investigações em curso. Naquela sessão, o advogado Pedro Ivo Velloso argumentou que o processo havia sido arquivado a pedido do próprio Ministério Público e não poderia ter sido reaberto sem novas evidências.

Em outubro passado, o TRE condenou Crivella à inelegibilidade por oito anos. A punição, aprovada por seis votos a um, tem vigência a partir de 2020 — quando o político deixou a prefeitura. A decisão suspendeu os direitos políticos do deputado em razão do mesmo caso agora suspenso pela liminar.

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