Justiça
Justiça torna Deolane Bezerra e mais 5 réus por lavagem de dinheiro do PCC
A Justiça de São Paulo aceitou denúncia do Ministério Público e tornou a influenciadora digital Deolane Bezerra ré pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito da Operação Vérnix. A advogada e ao menos cinco pessoas acusadas de atuar como operadores da facção criminosa […]
A Justiça de São Paulo aceitou denúncia do Ministério Público e tornou a influenciadora digital Deolane Bezerra ré pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa no âmbito da Operação Vérnix. A advogada e ao menos cinco pessoas acusadas de atuar como operadores da facção criminosa Primeiro Comando da Capital têm dez dias para se manifestar no processo.
Os demais réus são Marcos Willian Herbas Camacho, o Marcola, principal chefe da facção criminosa, o irmão dele, Alejandro Herbas Camacho Júnior, e Everton de Souza, apontado como operador financeiro do esquema. Também integram o grupo Leonardo Alexsander Ribeiro e Paloma Sanches, sobrinhos de Marcola, que estão foragidos.
A decisão, sigilosa, foi tomada em 16 de junho pela 3ª Vara Criminal de Presidente Venceslau (SP). A denúncia do MP-SP foi apresentada pelo promotor Lincoln Gakyia na semana passada, um dia após o Superior Tribunal de Justiça rejeitar conceder prisão domiciliar a Deolane, presa desde 21 de maio na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de SP.
O processo trata de amplo esquema de lavagem de dinheiro baseado em uma transportadora de cargas sediada em Presidente Venceslau, no interior paulista, apontada como controlada pela cúpula do PCC.
De acordo com as investigações, Deolane teria atuado como uma espécie de “caixa” da facção criminosa, movimentando recursos financeiros oriundos de atividades ilícitas. Manuscritos encontrados em 2019 na Penitenciária de Presidente Venceslau, além de elementos reunidos em diferentes fases de investigações posteriores, apontariam conexões entre contas bancárias, movimentações financeiras e empresas ligadas a ela. Os advogados dela negam envolvimento dela com a facção.
No despacho que acolheu a denúncia, o juiz Deyvison Heberth dos Reis ressalta que “os relatórios identificam o emprego reiterado de técnicas de lavagem: uso de empresas interpostas, fragmentação e pulverização de depósitos, integração de laranjas e inconsistências declaratórias de imposto de renda”.
“Os áudios enviados a uma diarista indicam que Deolane mantinha valores pertencentes ao PCC em seus imóveis e nos imóveis de seus filhos. Além disso, a investigação apurou plano de reestruturação de empresas com transferência para fundos em Dubai, país reconhecidamente associado à utilização de shell companies para facilitação de lavagem internacional de ativos”, destaca a decisão.
Em nota, a defesa da influenciadora declarou que esta é apenas uma etapa inicial do processo, reafirmaram a inocência de Deolane sustentaram que os rendimentos dela possuem origem lícita e foram regularmente declarados aos órgãos competentes.
O advogado Bruno Ferullo, que representa Marcola, seu irmão e os dois sobrinhos, afirmou que contestará as acusações de organização criminosa e lavagem de dinheiro atribuídas aos agora réus.
Segundo o defensor, Marcola e Alejandro Camacho estão custodiados em presídios federais de segurança máxima desde fevereiro de 2019 e submetidos a rígidas restrições de contato e comunicação. Essa condição, de acordo com a defesa, “torna inviável qualquer participação nos fatos investigados” e demonstraria um equívoco da acusação.
Em relação a Leonardo e Paloma Camacho, Ferullo sustentou que o simples vínculo familiar entre os denunciados não pode ser interpretado como prova de envolvimento em atividades criminosas. A defesa afirma ser “inaceitável que a simples proximidade afetiva sirva de fundamento para uma acusação desta magnitude”.
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