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Justiça militar condena coronel que atacou comando do Exército após eleição de Lula

O condenado foi colega do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na turma de 1977 da Academia Militar das Agulhas Negras

Justiça militar condena coronel que atacou comando do Exército após eleição de Lula
Justiça militar condena coronel que atacou comando do Exército após eleição de Lula
O coronel Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. Foto: Ernandes Ferreira/CMBH
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A primeira instância da Justiça Militar da União em Juiz de Fora (MG) — 4ª Circunscrição Judiciária Militar — condenou um coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas pela prática dos crimes de incitamento à indisciplina, ofensa às Forças Armadas e difamação em contexto de ambiente político.

A pena foi de dois anos de reclusão e 10 meses de detenção, a serem cumpridas em regime inicial aberto, com direito de recorrer em liberdade. Cabe recurso ao Superior Tribunal Militar.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público Militar, o coronel passou a publicar, a partir de janeiro de 2023, conteúdos em redes sociais e grupos de mensagens que incitavam a quebra da hierarquia e da disciplina militares e ofendiam a dignidade das Forças Armadas.

As publicações foram veiculadas, principalmente, em páginas eletrônicas denominadas “Frente Ampla Patriótica”, criadas e administradas pelo próprio réu em plataformas digitais. Etevaldo foi colega do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na turma de 1977 da Academia Militar das Agulhas Negras.

Conforme descrito pela promotoria, os vídeos e mensagens demonstrariam insatisfação com a atuação das Forças Armadas com o processo eleitoral de 2022 e a posse de Lula (PT) em janeiro de 2023.

Em uma das gravações, Etevaldo defendeu que “os manuais militares foram feitos para serem rasgados” e que “situações de não-normalidade” justificariam a quebra de disciplina. Ele também instou militares a não comparecerem ao Dia do Veterano, como forma de protesto contra o Alto Comando, que acusou de “covardia e omissão” depois da posse do presidente Lula.

A denúncia também menciona mensagens em que o coronel afirmou que as Forças Armadas teriam “traído o povo brasileiro” entre o final de 2022 e o início de 2023.

Para os juízes, o conteúdo dos vídeos e mensagens divulgados pelo acusado em redes sociais configurou ofensa direta às Forças Armadas. Segundo o Conselho Especial de Justiça, a simples leitura das manifestações evidencia que elas extrapolaram o direito à livre expressão e atingiram a reputação e a dignidade das instituições militares perante a sociedade.

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