Justiça
Justiça mantém demissão de funcionária que fez ‘piadas’ racistas no WhatsApp
A decisão seguiu as orientações do Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial do Conselho Nacional de Justiça
A Justiça do Trabalho em Minas Gerais confirmou a demissão por justa causa de uma educadora física que trabalhava em uma academia de Belo Horizonte por prática de racismo recreativo. Segundo os autos, ela fazia “piadas” racistas contra uma colega em um grupo de trabalho no WhatsApp.
A sentença, proferida pela juíza Jéssica Grazielle Andrade Martins, da 48ª Vara do Trabalho da capital, chancela a decisão da empresa de afastar a funcionária racista.
A decisão seguiu as orientações do Protocolo para Julgamento com Perspectiva Racial do Conselho Nacional de Justiça, que oferece uma série de recomendações aos magistrados.
Conforme o processo, a funcionária participava de um grupo de WhatsApp que elaborava uma “tabela de pontuação negativa” para colegas, na qual características relacionadas à pele negra eram tratadas como defeitos. A vítima também sofria intolerância religiosa.
Reversão negada
A ex-funcionária tentou reverter a decisão de justa causa sob a alegação de competência nos quatro anos em que esteve na empresa. Ela disse também não ter cometido qualquer ato ofensivo, mas foi desmentida por prints de comentários, montagens e fotos de macacos.
O material foi repassado ao canal interno de denúncias da academia por outra funcionária, validando a prática de injúria racial.
A investigação apontou que a funcionária participava ativamente das conversas no grupo, enviando fotos da vítima sem sua autorização. A decisão considerou a justa causa proporcional.
Agora, o processo segue para o Tribunal Superior do Trabalho, para análise de um recurso.
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