Justiça
Justiça mantém condenação de bolsonarista por bomba em caminhão perto do Aeroporto de Brasília
Desembargadores rejeitam recursos da defesa de Wellington Macedo e confirmam pena de seis anos de prisão; atentado ocorreu às vésperas da posse de Lula, em dezembro de 2022
A 3ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) manteve a condenação de Wellington Macedo de Souza a seis anos de prisão, em regime inicial fechado, pela instalação de um artefato explosivo em um caminhão-tanque carregado com 63 mil litros de querosene de aviação nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília em 2022. A decisão foi unânime e rejeitou todos os argumentos apresentados pela defesa.
O episódio ocorreu na madrugada de 24 de dezembro daquele ano, pouco antes da posse de Lula (PT) na presidência. Segundo a denúncia, Wellington recebeu o explosivo de um comparsa e o instalou no veículo, que aguardava autorização para abastecer aeronaves. A bomba não detonou porque houve uma falha na montagem do mecanismo de acionamento, mas a perícia concluiu que a carga tinha potencial para provocar a explosão.
No recurso, a defesa alegou que o acusado não tinha intenção criminosa, desconhecia o conteúdo transportado pelo caminhão e sustentou a tese de crime impossível, sob o argumento de que o artefato não teria capacidade de funcionar. Os desembargadores afastaram essas alegações ao destacar que imagens de câmeras de segurança, a confissão de outro réu e os laudos periciais demonstraram tanto a participação de Wellington quanto a viabilidade do explosivo, concluindo que a falha decorreu apenas de um erro acidental na montagem.
O colegiado também recusou o pedido para reconhecer participação de menor importância. Na avaliação dos magistrados, Wellington teve atuação essencial ao transportar o artefato e colaborar na definição do local e do momento da ação.
A Turma ainda entendeu que a causa de aumento de pena prevista para explosões em depósitos de combustível também se aplica a caminhões-tanque, independentemente de serem veículos em movimento. No entendimento da 3ª Turma Criminal, o crime se consuma com a simples colocação de um engenho explosivo em situação capaz de gerar perigo comum.
O atentado foi planejado por integrantes de um grupo que, segundo as investigações e decisões judiciais, pretendia provocar comoção social para estimular uma intervenção militar e impedir a posse do presidente Lula, que aconteceu em 1º de janeiro de 2023. Wellington foi julgado separadamente dos demais envolvidos após permanecer foragido por meses e ser preso no Paraguai, em setembro de 2023.
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