Justiça

Investigação contra Moraes no Caso Master depende de autorização do STF

A correlação de forças na Corte ditará o ritmo e o desfecho de um caso potencialmente explosivo

Investigação contra Moraes no Caso Master depende de autorização do STF
Investigação contra Moraes no Caso Master depende de autorização do STF
Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, do STF. Foto: Nelson Jr./STF
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O ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça considera defender a inclusão do colega Alexandre de Moraes como investigado no escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Neste caso, caberia à própria Corte autorizar o início da apuração.

A Polícia Federal identificou mais conversas entre Moraes e Vorcaro. Em uma delas, de 30 de outubro de 2025, o banqueiro teria solicitado o auxílio do ministro para evitar “sacanagem” do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet:

“É importante reforçar com Andrei e Paulo pra nao deixar ninguem de baixo fazer uma sacanagem que ai vai tudo pro saco. Estou disponivel pra tratar e explicar qq coisa, so nao pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que tem ido ao Bacen alegando que farao algo em breve”

Segundo a Constituição Federal, compete ao STF processar e julgar por crimes comuns o presidente e o vice-presidente da República, os integrantes do Congresso Nacional, seus próprios ministros e o procurador-geral da República.

No caso de crimes de responsabilidade, por outro lado, a atribuição para julgar magistrados do Supremo recairia sobre o Senado. A princípio, não seria este o enquadramento de uma eventual investigação contra Moraes no Caso Master.

Em despacho assinado nesta terça-feira 1º, Mendonça afirma que uma análise preliminar de novas informações apresentadas pela PF abrem a possibilidade de deflagrar uma “modalidade procedimental própria”, ante a necessidade de observar a regra prevista no artigo 5º do regimento interno do STF, a estabelecer que cabe ao plenário processar e julgar originariamente, entre outros, os ministros da Corte.

Marcelo Válio, advogado especialista em Direito Constitucional com pós-doutorado pela Universidade de Messina, na Itália, explicou a CartaCapital que o STF seria investigador e julgador de um eventual inquérito contra Moraes — uma vez que não há instância acima — e teria a PGR como titular de uma possível ação penal.

A definição da relatoria do inquérito ocorreria por sorteio, após o plenário aprovar a abertura da investigação. Moraes, por óbvio, não participaria do julgamento.

Se houver aval da Corte à investigação, esta resultará no arquivamento ou no oferecimento de denúncia pela PGR, a qual deflagraria um processo que terminaria com a absolvição ou a condenação do ministro. “O desfecho dependerá do equilíbrio de votos na Corte e da atuação da PGR”, concluiu Válio.

Por ora, Mendonça aguarda a manifestação de Paulo Gonet sobre as descobertas contra Moraes. O chefe do MPF tem cinco dias a partir desta terça-feira para se pronunciar.

Independentemente do teor da resposta da PGR, afirmou Mendonça em sua decisão, o
“caminho inevitável” dos autos será o plenário. Ele escreveu também que a deliberação deverá ser “pública e transparente”, em sessão presencial a ser agendada pelo presidente Edson Fachin.

A correlação de forças em um tribunal que se unificara a partir de 2019 para resistir às ameaças golpistas de Jair Bolsonaro (PL) será, a rigor, o fator determinante para o futuro de Alexandre de Moraes.

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