Justiça
ICE prende Alexandre Ramagem nos EUA
O STF condenou o ex-deputado e ex-diretor da Abin a 16 anos de prisão pela trama golpista
Foragido da Justiça brasileira, o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) foi preso nos Estados Unidos, nesta segunda-feira 13, pelo serviço de Imigração e Controle de Aduanas do País, o ICE, a agência que executa a política anti-imigração do governo Donald Trump. A informação foi inicialmente divulgada pela GloboNews e confirmada por CartaCapital junto a fontes da Polícia Federal.
Ele foi preso em Orlando, na Flórida, e levado a um centro de detenção na cidade. Autoridades brasileiras foram informadas da prisão por volta de 12h (horário de Brasília). Segundo a PF, a prisão decorreu de cooperação internacional entre a corporação e autoridades policiais dos EUA.
Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro, Ramagem foi condenado a 16 anos de prisão na ação penal sobre a tentativa de golpe de Estado. Em setembro do ano passado, ele fugiu para evitar o cumprimento da pena e passou a viver em Miami. Durante a investigação da trama golpista, foi proibido pelo STF de sair do País.
As investigações da PF apontam que ele deixou o Brasil de forma clandestina pela fronteira com a Guiana, na divisa com Roraima, sem passar por qualquer posto migratório. Na sequência, embarcou no Aeroporto de Georgetown, na capital guianesa, com destino aos EUA, onde entrou utilizando passaporte diplomático, apesar de uma determinação para cancelamento do documento.
Ramagem foi acusado pela Procuradoria-Geral da República de integrar uma organização criminosa armada, responsável pela divulgação de desinformação sobre as urnas eletrônicas nas eleições de 2022, além de monitorar autoridades e apoiar ações para a abolição do Estado Democrático de Direito. Ele foi sentenciado a 16 anos de prisão em regime fechado.
A fuga só veio a público em novembro de 2025, após uma reportagem do site PlatôBr flagrá-lo em um hotel de luxo de Miami. Antes de viajar, Ramagem apresentou um atestado psiquiátrico à Câmara alegando ansiedade e pedindo afastamento temporário.
Logo depois da descoberta, o ainda deputado publicou nas redes sociais um vídeo no qual afirmava estar seguro, prometeu atuar em prol da anistia aos golpistas e classificou as decisões do STF como “ilegais”. “É só mandar formalmente para cá e esperar a declaração da maior nação livre, efetivamente democrática, do mundo. Falam ainda que eu sou foragido. Primeiro, que eu não vim para cá para me esconder, mas para trabalhar pelo Brasil como eu puder. E para ser um foragido, você precisa de uma decisão judicial”, declarou Ramagem.
No fim de 2025, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados formalizou a cassação do mandato de Ramagem. A Constituição determina que a Casa declare a perda do mandato de parlamentar em função de condenação criminal.
Em janeiro, o Ministério da Justiça informou ao STF que o pedido de extradição havia sido formalmente encaminhado ao governo norte-americano. Antes disso, o ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão do nome de Ramagem na lista da Interpol, o que viabilizou a possibilidade de ele ser detido por autoridades estrangeiras.
As investigações da PF apontam que a família do garimpeiro Rodrigo Martins de Mello, mais conhecido como Rodrigo Cataratas, desempenhou “papel de protagonismo” na fuga do ex-deputado federal. Ele, sua esposa Priscila Mello e o filho viabilizaram a estadia de Ramagem em um condomínio de luxo nos EUA e o ajudam a obter documentos falsos.
O esquema para mantê-lo fora do País consta de uma decisão assinada por Moraes em dezembro, quando o magistrado negou transferência para a prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o trecho destacado pelo ministro, os documentos falsos seriam usados por Ramagem, que estava desde setembro em Miami, para “ludibriar as autoridades americanas” e conseguir uma carteira de motorista. Para a PF, a conduta da família mostrava “o claro intuito de financiar a organização criminosa” investigada pela trama golpista.
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