Justiça
Hytalo Santos e marido são condenados por exploração sexual; defesa vai recorrer
Advogados dos influenciadores afirmam que eles foram vítimas de preconceito
O influenciador Hytalo Santos e o marido dele, Israel Vicente, conhecido como “Euro”, foram condenados pela justiça da Paraíba por exploração sexual de adolescentes. A condenação foi confirmada pelos advogados do casal, que afirmam que vão recorrer.
Hytalo foi condenado a 11 anos e 4 meses de prisão, enquanto a pena imposta a Israel foi de 8 anos e 10 meses. A sentença, assinada pelo juiz Antonio Rudimacy Firmino de Sousa, da 2ª Vara Mista da cidade de Bayeux, na região metropolitana de João Pessoa, foi publicada no sábado 21.
A sentença menciona que Hytalo e Israel, ao serem interrogados, afirmaram que não tinham consciência da gravidade de suas condutas, mas reconheceram que transmitiam nas redes sociais uma espécie de “Big Brother Infantojuvenil”.
Para o juiz, as provas para condenação “são robustas”. “Os vídeos, as fotografias e os ‘prints’ mostram o dia a dia dos adolescentes na residência dos acusados realizando poses e danças eróticas”, relata a sentença.
O episódio ganhou visibilidade depois que o youtuber Felca publicou um vídeo denunciando a “adultização” de menores em conteúdos de influenciadores. O nome de Hytalo foi citado na gravação, junto aos de outros perfis que produziam conteúdos semelhantes ao dele.
“O que estimula o crime é a impunidade e conduta dos agentes é gravíssima, pois não atingiu apenas as vítimas, adolescentes que constam desses autos, mas uma indeterminada gama de crianças e jovens espalhados pelo Brasil, milhões até, contribuindo para a deformação moral destes”, prossegue o magistrado.
Hytalo e Israel estão presos desde agosto do ano passado, quando o Ministério Público da Paraíba, o Ministério Público do Trabalho e forças policiais realizaram operação que apurava, inclusive, a suspeita de tráfico humano.
Em nota, os advogados de Hytalo Santos e Israel Vicente afirmaram que a decisão tem “fragilidade jurídica” e “traços inequívocos de preconceito”. “A decisão representa a vitória do preconceito contra um jovem nordestino, negro e homossexual, além de expressar estigmatização contra o universo cultural do BregaFunk”, diz o texto.
A defesa informou, ainda, que pretende acionar o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para apuração da conduta do juiz responsável pelo caso, por conta de expressões consideradas preconceituosas.
“Os autos não revelam personalidade ruim do acusado. Somente pelo fato de ser por ser negro e gay assumido, inclusive é casado com o outro réu não que isso dizer isso que seja possua mau caráter”, diz trecho da sentença.
Os advogados esperam que o casal consiga um habeas corpus, em julgamento que está marcado para esta terça-feira 24. “A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no devido processo legal, convicta de que as instâncias competentes restabelecerão a justiça”, complementa a nota.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.


