Justiça

Foragido, ex-deputado do PL é preso na Bolívia após entrar na lista da Interpol

Segundo o Ministério Público, organização comandada pela família de Neno Razuk movimentava centenas de milhares de reais por mês com a contravenção

Foragido, ex-deputado do PL é preso na Bolívia após entrar na lista da Interpol
Foragido, ex-deputado do PL é preso na Bolívia após entrar na lista da Interpol
Neno Razuk, ex-deputado estadual do Mato Grosso do Sul - Reprodução/ALMS
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Foragido desde o início de julho, o ex-deputado estadual de Mato Grosso do Sul Roberto Razuk Filho, conhecido como Neno Razuk (PL), foi preso neste domingo 2 na Bolívia. Procurado para cumprir pena de mais de 15 anos de prisão pelos crimes de organização criminosa, roubo e exploração do jogo do bicho, ele foi levado para Corumbá (MS) e deverá ser transferido para Campo Grande.

O mandado de prisão foi cumprido no momento em que o ex-parlamentar se apresentou a um posto de fiscalização policial no país vizinho. A reportagem apurou que ele pretendia seguir viagem para Santa Cruz de la Sierra, na região central da Bolívia.

Razuk foi condenado à prisão em 2025, mas não havia sido preso à época porque cumpria mandato como deputado estadual e contava com imunidade parlamentar. Em maio, uma recontagem dos votos das eleições de 2022 alterou a composição da Assembleia Legislativa e o então parlamentar perdeu sua cadeira na Casa, após um ciclo de oito anos.

Há pouco mais de uma semana, a Justiça sul-matogrossense havia determinado à Polícia Federal que pedisse à Interpol a inclusão do nome dele na difusão vermelha. A lista representa uma solicitação a polícias de todo o mundo para localizar e prender provisoriamente uma pessoa, aguardando extradição, entrega ou ação legal semelhante, a partir de um mandado de prisão ou ordem judicial expedida pelo país solicitante.

Além da pena de prisão, Neno Razuk foi proibido de exercer cargo público por oito anos. Ele, o pai, Roberto Razuk, os irmãos Jorge e Rafael Razuk, e outras 16 pessoas foram alvos da quarta fase da Operação Successione, deflagrada em novembro do ano passado.

De acordo com o Ministério Público do estado, o ex-parlamentar e seus familiares integravam uma organização criminosa armada dedicada à exploração ilegal de jogos de azar. O grupo se utilizaria de corrupção, lavagem de dinheiro e roubos para assegurar o monopólio da contravenção no MS, além de avançar sobre regiões comandadas por outras quadrilhas desarticuladas anteriormente.

Ao longo das investigações, agentes apreenderam centenas de máquinas usadas no jogo do bicho e materiais que apontam para movimentações de ao menos 600 mil reais mensais com a atividade. Também foram recolhidos 274 mil em espécie, mais de 1 mil euros e documentos considerados relevantes para a investigação.

Com base nos elementos reunidos, o MP pediu o bloqueio de 36 milhões em bens atribuídos à família Razuk.

A reportagem tenta contato com a defesa de Neno. Em nota ao site conservador norte-americano Midiamax, o advogado dele, Ricardo Souza Pereira, afirmou: “Ainda estamos aguardando a decisão da Polícia Federal. Até o momento, não temos informações sobre quando ocorrerá a chegada dele a Campo Grande. Permaneceremos atentos, acompanhando o desenrolar do caso, e informaremos qualquer atualização”.

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