Justiça
Flávio pede ao STF que declare Moraes suspeito para julgar caso Master
Para a defesa do senador do PL, o impedimento se daria em razão de uma suposta relação próxima entre o ministro e Daniel Vorcaro; Fachin decidirá
Pré-candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu no Supremo Tribunal Federal que o ministro Alexandre de Moraes seja declarado suspeito para julgar processos relacionados ao Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. A petição foi encaminhada ao presidente da Corte, Edson Fachin, na última segunda-feira.
Caberá ao magistrado dizer se acata ou não a demanda.
De acordo com a defesa do parlamentar, a solicitação se justifica por uma suposta relação entre Moraes e o ex-banqueiro, que está preso em Brasília e negocia uma delação premiada. Dados da Receita Federal apontam que o banco de Vorcaro repassou ao menos 80 milhões de reais ao escritório da esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes.
“Essa proximidade pode retirar do magistrado a equidistância que deve manter em relação às partes”, diz a defesa do senador.
A iniciativa ocorre após Flávio entrar na mira do inquérito que apura a articulação do clã Bolsonaro em prol de sanções internacionais contra o Brasil. Até então, apenas seu irmão, o deputado federal cassado Eduardo, que mora nos Estados Unidos, era o principal investigado no caso. O julgamento dele está previsto para 16 de junho, na Primeira Turma do STF.
Com as revelações, pelo Intercept Brasil, de que o Master financiou o filme Dark Horse,sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, o PT pediu que o pré-candidato ao Planalto fosse incluído na investigação. A suspeita de Lindbergh Farias (RJ) é que os recursos possam ter servido, também, para custear a estadia de Eduardo no exterior.
No final de maio, Moraes, relator da ação, pediu uma posição da Procuradoria-Geral da República sobre a solicitação do partido, representado pelo deputado.
A defesa de Flávio, representada pelo advogado Tracy Reinaldet, pontuou ao STF que a solicitação sobre a possível suspeição do ministro busca apenas “garantir a observância das regras processuais e regimentais”.
“Aqui, abra-se um parêntese. Não se indigita nesta exceção qualquer irregularidade em tal contratação, até porque a própria Procuradoria-Geral da República concluiu pela licitude dessa relação de prestação de serviços”, afirma.
Caso a demanda seja acatada, os defensores do senador defendem que o caso seja redistribuído ao gabinete de André Mendonça, responsável pelas investigações do Master na Corte.
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