Justiça

Flávio Bolsonaro omitiu R$ 350 mil em compra de loja de chocolates, diz jornal

Senador e esposa não declararam valor no Imposto de Renda, segundo investigações do MP-RJ

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Foto: Marcos Oliveira /Agência Senado
O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Foto: Marcos Oliveira /Agência Senado
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O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) e sua esposa, Fernanda Bolsonaro, omitiram 350 mil reais investidos na compra de uma loja de chocolates no bairro da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. A informação consta nas investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) e foi revelada pelo jornal O Globo, neste domingo 16.

De acordo com o veículo, os promotores identificaram a omissão no Imposto de Renda, após cruzamento de dados bancários e fiscais de Flávio e Fernanda, que tiveram o sigilo quebrado em abril de 2019, com autorização do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).

A loja de chocolates foi comprada por Flávio e seu amigo Alexandre Santini, em 2014, da empresa C2S Comércio de Alimentos, que pertencia a Cristiano Correia Souza e Silva. Conforme informa o jornal, o contrato foi assinado em 11 de dezembro de 2014 e registrou o valor combinado de 800 mil reais. Cada sócio arcaria com a metade, 400 mil reais.

Na declaração de Imposto de Renda de Flávio à Receita Federal, o MP-RJ encontrou o pagamento de 50 mil reais para a empresa de Cristiano, datado de 2014. O valor coincide com um cheque emitido por Flávio como sinal para a aquisição da loja, diz O Globo.

Por sua vez, Fernanda, que não é sócia da empresa, fez uma transferência eletrônica para a companhia de Cristiano, no valor de 350 mil reais, no dia 2 de fevereiro de 2015. No entanto, segundo o jornal, o MP-RJ não identificou este pagamento na declaração de Fernanda à Receita Federal.

Os promotores fizeram registro sobre esta apuração nos autos, escrevendo que, no ano de 2015, Flávio e a esposa “omitiram em suas declarações de Imposto de Renda o restante dos pagamentos realizados à empresa C25 Comércio de Alimentos, evidenciando o propósito de esconder dos órgãos fiscalizadores o valor total da transação para a qual não possuía lastro financeiro”.

Dinheiro pode ter vindo das rachadinhas, segundo o MP

Segundo O Globo, o MP-RJ ainda investiga as circunstâncias da compra da loja e também quer descobrir se o sócio de Flávio arcou mesmo com a sua parte. Os promotores consideram a possibilidade que tenha sido “falsamente inserida nos contratos” a informação de que os dois sócios dividiriam o valor da loja, para “acobertar a inserção de recursos decorrentes do esquema das ‘rachadinhas'”.

Dos 800 mil reais tratados no contrato da compra, 330 mil seriam pagos “em espécie”, no dia 25 de fevereiro de 2015. Esse valor seria pago após um cheque de 50 mil como sinal, declarado por Flávio à Receita, e uma transferência eletrônica (TED) de 420 mil.

Porém, os 330 mil reais “em espécie” ocorreram, na verdade, em 5 de março de 2015, “mediante TED cuja origem o depoente não sabe precisar, mas foi depositado no Citibank”, segundo o depoimento de Cristiano ao MP-RJ. De acordo com O Globo, o pagamento foi feito via TED.

O dinheiro das “rachadinhas” pode ter sido usado também para custear outras despesas da loja, como a taxa de franquia, no valor de 45 mil reais. A quantia não foi identificada nos extratos bancários de Flávio e Fernanda, segundo o jornal.

Sócio de Flávio pode ter sido um laranja

O MP aponta indícios de que Alexandre Santini seria, na verdade, um laranja, segundo O Globo. Flávio e Santini declararam 200 mil reais à Junta Comercial do Rio como investimento na sociedade “Bolsotini”, razão social da loja. Mas a quebra de sigilo mostrou ao MP-RJ que esse valor foi repassado por Fernanda à conta da empresa, sem ser sócia.

O MP-RJ aponta que a loja foi usada por Flávio para lavagem de dinheiro vivo de 1,6 milhão de reais. A “Bolsotini” declarou 6,5 milhões de reais de arrecadação entre 2015 e 2018, mas o valor auditado pelo shopping foi de 4,8 milhões de reais em vendas, resultado em 1,6 milhão de diferença.

A defesa do senador disse que não poderia comentar o mérito das declarações, segundo O Globo. Em nota, disseram que Flávio “esclarece que a alucinação de alguns promotores do Rio em persegui-lo é tão vergonhosa que até perderam prazo para apresentar recursos ao STF e ao STJ de decisão que retirou a investigação da competência deles. Com isso, buscam atacar sua imagem pública, uma vez que, processualmente, não há nada mais que eles possam fazer”.

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