Justiça

‘Temos uma das polícias que mais mata no mundo. Como dar autonomia?’

Para Rafael Alcadipani, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, propostas de autonomia podem provocar descontrole

‘Temos uma das polícias que mais mata no mundo. Como dar autonomia?’
‘Temos uma das polícias que mais mata no mundo. Como dar autonomia?’
Foto: Rovena Rosa Foto: Rovena Rosa
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A bancada da bala da Câmara dos Deputados avança em projetos para reduzir o poder dos governadores sobre a Polícia Militar e a Polícia Civil. Segundo informações do jornal O Estado de S. Paulo, há dois projetos de lei orgânica das polícias prestes a ser votados que mudam a estrutura de ambas as corporações.

As propostas mudam a estrutura das polícias. Cria-se, de acordo com o Estadão, a patente de general, hoje exclusiva das Forças Armadas, para PMs. Para Rafael Alcadipani, professor da FGV e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, embora a autonomia das polícias seja um tema importante, não há razões para conduzir uma reforma como essa agora.

“O problema dessa proposta e que ela não impõe nenhum tipo de controle social sobre a polícia. Ela diminui, na verdade, esse controle, porque tira dos governadores o controle sobre a gestão”, pontua em entrevista a CartaCapital. “A expressão máxima do escárnio é o tal general da PM. Deixa evidente que este é um interesse corporativo dos oficiais da polícia, não é sequer dos praças. Isso, pra mim, é quase um Escola Sem Partido das polícias”

Outro ponto preocupante, avalia, são as listas tríplices na PM. A sugestão, segundo o jornal, é para que a nomeação do comandante saia de uma lista tríplice indicada pelos oficiais. O texto prevê que a destituição, por iniciativa do governador, seja “justificada e por motivo relevante devidamente comprovado”. ”É uma péssima ideia. Porque ela cria uma guerra fratricida dentro da instituição pra ver quem vai para essa lista”, diz Alcadipani.

E completa: “Temos uma das polícias que mais mata no mundo. Estamos entre as polícias que mais mata negros no mundo. Como dar autonomia a eles? O que a gente precisa é de mais controle não de menos controle. O Congresso não pode aprovar esse projeto, sob pena de a gente criar forças policiais sem nenhum controle do poder civil.”

O Brasil tem uma péssima tradição de militares quererem subjugar a população civil, não estar a serviço delas.

Viabilidade política

As propostas contam com lobby classista e foram discutidas com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, mas ainda não formalmente submetidas à Câmara. O deputado Arthur Lira (PP-AL), candidato à presidência da Câmara, afirmou que, caso haja maioria ou pedido de urgência, poderá pautar projetos sobre o fortalecimento da autonomia das polícias civil e militar.

Os governadores, por outro lado, se articulam para barrá-las. Muitos veem inconstitucionalidade e interferência do Palácio do Planalto nas polícias, uma das grandes bases de apoio do presidente Jair Bolsonaro. “Somos radicalmente contra”, disse ao Estadão o governador de São Paulo, João Doria (PSDB). “Já mobilizamos a bancada de São Paulo e outros governadores também estão mobilizando suas bancadas.”

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