Justiça
Escritório da família Moraes vai à Justiça contra senador por declarações sobre o PCC
Alessandro Vieira (MDB-SE) é o relator da CPI do Crime Organizado
O escritório de advocacia Barci de Moraes, cuja sócia-administradora é Viviane Barci, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, informou nesta segunda-feira 16 que acionará a Justiça contra o relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), por suposta prática de calúnia e difamação.
A ação deve se basear em declarações do emedebista em entrevista ao SBT News. A banca de advogados entende que Vieira fez uma relação entre recursos da facção criminosa Primeiro Comando da Capital e o escritório da família Moraes. O senador nega.
“Você tem apurações em andamento que apontam a chegada de recursos do PCC, uma organização criminosa violenta. Você tem indicativos de pagamentos a autoridades de diversos poderes, servidores públicos de carreira, políticos, eventualmente pessoas ligadas ao Judiciário”, declarou Vieira à emissora.
“A gente tem informações que apontam circulação de recursos entre esse grupo criminoso e familiares dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Não é razoável dizer agora que essa circulação de recurso é ilícita”, completou.
Em vídeo nas redes sociais, o relator da CPI disse que a possibilidade de ação judicial já era esperada e representa uma tentativa de intimidação. Também negou ter afirmado que recursos do PCC circularam nas contas do Barci de Moraes.
Vieira alega ter se referido ao recebimento de recursos do Banco Master pelo escritório de advocacia, em menção ao contrato de prestação de serviços que a banca manteve com a instituição financeira. Em nota divulgada no início de março, a firma controlada por Viviane confirmou a prestação dos serviços entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025, mas não detalhou os valores.
Vieira também aproveitou para cobrar a instalação da CPI da Toga Master, cujo objetivo seria investigar as relações entre o banco de Daniel Vorcaro e ministros do STF. O senador reuniu assinaturas suficientes para instaurar o colegiado, mas a decisão cabe ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
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