Justiça

Em encerramento do ano no Judiciário, Fachin sai em defesa de código de conduta para ministros do STF

A iniciativa defendida pelo presidente da Corte tem gerado incômodo entre os ministros

Em encerramento do ano no Judiciário, Fachin sai em defesa de código de conduta para ministros do STF
Em encerramento do ano no Judiciário, Fachin sai em defesa de código de conduta para ministros do STF
Imagem: Gustavo Moreno/STF
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O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, confirmou nesta sexta-feira 19, último dia de trabalho do Judiciário em 2025, que o código de conduta para os ministros será discutido no ano que vem. O recesso começa ao fim do dia e termina em 6 de janeiro.

Conforme mencionou em sua mensagem de fim de ano, ele pretende colocar em discussão as novas diretrizes e normas de conduta para os membros de tribunais superiores. Entre as medidas estudadas estão regras que conferem mais transparência quanto à remuneração da magistratura. “O diálogo será o compasso desse debate”, afirmou.

O tema, desde que foi anunciado no início de dezembro, tem gerado incômodo entre os ministros. Um dos ‘opositores’ é Dias Toffoli. O ministro fez, recentemente, uma viagem em um jatinho particular ao lado do advogado do caso do Banco Master, do qual é relator no Supremo. A divulgação do código de conduta coincidiu com a revelação da viagem, o que teria ofendido o ministro, que entendeu que o anúncio era uma crítica direta a esse acontecimento.

Sobre as divergências internas, Fachin voltou a mencionar o diálogo como saída. “Divergências fundamentadas enriquecem o trabalho jurisdicional, aperfeiçoam a técnica e reforçam a legitimidade das decisões. O diálogo qualificado é instrumento de maturidade republicana”, disse, após anunciar a discussão da proposta.

Balanço de 2025

Fachin aproveitou boa parte do discurso para fazer um balanço dos trabalhos no STF em 2025, ano em que o tribunal proferiu mais de 116 mil decisões. Neste ponto, agradeceu aos seus colegas pela atuação.

Sem destacar casos específicos, disse que a democracia saiu fortalecida ao fim dos julgamentos. Convém lembrar que coube ao STF a condenação de Jair Bolsonaro (PL) e outros membros da organização que tramou um golpe de Estado em 2022. Fachin destacou que a democracia é uma construção “permanente”, que demanda “vigilância”. “Cabe-nos exercer nossas atribuições com rigor técnico, sobriedade e consciência histórica”, comentou.

Por fim, lembrou também do compromisso do Tribunal com os direitos humanos, a sustentabilidade ambiental, a diplomacia constitucional e a cooperação entre Cortes.

Fim da Magnitsky

O presidente do STF optou pela leitura de uma mensagem escrita previamente, mas, ao final do discurso, improvisou uma declaração sobre o fim da Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes. A queda das sanções foi anunciada pelo governo dos Estados Unidos na semana passada.

“Que esta Corte jamais se dobre a ameaças, venham de onde vier. Registrando, portanto, ao final deste ano, o levantamento da injusta e inadmissível aplicação da lei Magnitsky a sua excelência Alexandre de Moraes e seus familiares”, concluiu Fachin.

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