Justiça

Dino manda Poderes suspenderem penduricalhos não previstos em lei

O ministro do STF criticou o ‘Império dos Penduricalhos’ e cobrou o Congresso pela edição de uma lei

Dino manda Poderes suspenderem penduricalhos não previstos em lei
Dino manda Poderes suspenderem penduricalhos não previstos em lei
Ministro Flávio Dino na sessão plenária do STF Foto: Rosinei Coutinho/STF
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O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino determinou, em uma decisão liminar, a suspensão em até 60 dias dos chamados penduricalhos do serviço público nos Três Poderes. Ele submeteu sua ordem ao plenário da Corte, que poderá confirmá-la ou revertê-la, em data a ser definida pelo presidente Edson Fachin. Leia a decisão na íntegra.

Conforme o despacho, somente parcelas indenizatórias expressamente previstas em lei podem ficar de fora do teto do funcionalismo público, atualmente fixado em 46.366,19 reais. Dino cobrou do Congresso Nacional a edição de uma lei para regulamentar as verbas que se encaixam nessa previsão.

O magistrado mandou oficiar o presidente Lula (PT) e os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que adotem as medidas políticas e legislativas necessárias a resolver a omissão constitucional. Os Poderes terão dois meses para revisar as verbas pagas e derrubar aquelas que não têm base legal.

“Por este caminho, certamente será mais eficaz e rápido o fim do Império dos Penduricalhos, com efetiva justiça remuneratória, tão necessária para a valorização dos servidores públicos e para a eficiência e dignidade do Serviço Público”, escreveu.

Dino destacou que, de acordo com a Emenda Constitucional 135/2024, apenas verbas indenizatórias previstas em lei de caráter nacional, aprovada pelo Congresso Nacional, estão fora do teto. No entanto, explicou, mais de um ano após a promulgação, a lei ainda não foi editada. Para o ministro, essa omissão configura uma “violação massiva” à Constituição e à jurisprudência do STF.

O relator criticou na decisão o uso indevido de verbas supostamente “indenizatórias” que, na verdade, servem para turbinar salários e romper o teto do serviço público. Dino citou diretamente os penduricalhos conhecidos como “auxílio-peru” e “auxílio-Panetone” — apelidos que, apesar de anedóticos, ilustram uma violação à Constituição.

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