Justiça
O freio de arrumação de Vorcaro
Da semana passada para cá, a proposta de delação ‘esfriou’, segundo pessoas próximas ao ex-banqueiro
Desde que assinou um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e com a Procuradoria-Geral da República, o ex-CEO do Banco Master, Daniel Vorcaro, recuou em relação a alguns nomes que havia apresentado inicialmente a seus advogados durante a elaboração da proposta de delação premiada.
Embora tenha demonstrado boa vontade em colaborar com as investigações, o maior interesse do banqueiro é a liberdade, não havendo, por outro lado, disposição para incriminar pessoas.
Da semana passada para cá, a proposta de delação “deu uma esfriada”, segundo pessoas próximas a Vorcaro. Autoridades de alto escalão que haviam sido citadas dias atrás hoje já não constam no espectro de alvos do ex-Master.
Orientado por seus advogados, Vorcaro terá que calcular as implicações de suas declarações, sem deixar de levar em consideração as provas obtidas nas investigações, que devem ser corroboradas por depoimentos do banqueiro. Evitar nomes que eventualmente surjam no curso do processo, contudo, pode transformar a colaboração em peça incompleta — e, portanto, pouco útil para a Polícia Federal e a PGR.
Uma eventual homologação do acordo dependerá ainda do crivo de André Mendonça, relator do caso na Corte, que tem sinalizado a interlocutores que não haveria razões para poupar ninguém, desde que haja a comprovação da participação no esquema financeiro.
Desde o início das investigações, citações aos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Kassio Nunes Marques surgiram. Toffoli admitiu a venda de uma cota de sua empresa ao fundo Arleen, ligado ao Master. Moraes negou ter tido conversas com Vorcaro, embora mensagens atribuídas ao banqueiro mencionem encontros como o ministro em sua residência.
Nunes Marques confirmou viagem em avião de empresa ligada ao ex-Master, mas sustenta ter sido convidado por amigos. Em outras frentes, há suspeitas envolvendo o ex-governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que teria se reunido com Vorcaro e com o ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa, para tratar da compra de parte do Master.
Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado. No mesmo mês, a desembargadora do TRF-1, Solange Salgado da Silva, determinou a soltura, sob a supervisão de tornozeleira eeletrônicae outras medidas cautelares. Em março deste ano, Mendonça determinou nova prisão do banqueiro, que atualmente está custodiado na Superintendência da Polícia Federal.
Nesta quarta-feira 22, ele passou mal e precisará passar por exames. O pedido foi autorizado pelo relator.
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