Justiça
Convidado pelo TSE, Carter Center desiste de observar as eleições gerais no Brasil
A entidade alegou dificuldades financeiras após cortes de Donald Trump
O Carter Center desistiu de participar como observador em missão internacional para as eleições gerais deste ano no Brasil. A organização não governamental sediada nos Estados Unidos comunicou a desistência ao Tribunal Superior Eleitoral devido a dificuldades financeiras.
Em julho do ano passado, o Congresso norte-americano aprovou um corte – proposto pelo presidente Donald Trump – de 9 bilhões de dólares em financiamento destinado à ajuda externa, o que resultou no fechamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID).
Somente no Carter Center as perdas foram estimadas em 11 milhões de dólares. As dificuldades da entidade também têm como fator o redirecionamento de recursos de doadores europeus para a missão da União Europeia em outubro.
A Organização dos Estados Americanos, da UE, participará da missão ao lado da Comunidade dos Países e Língua Portuguesa e da União Interamericana de Organismos Eleitorais. A Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais também informou que não participará do pleito deste ano.
O Carter Center foi fundado em 1982 pelo ex-presidente Jimmy Carter e pela ex-primeira-dama Rosalynn Carter, tendo realizado mais de 100 missões de observação eleitoral em cerca de 40 países. Em 2022, participou das eleições no Brasil.
Em relatório divulgado após o pleito daquele ano, a entidade atestou a lisura do processo eleitoral e a confiabilidade nas urnas eletrônicas. Por outro lado, recomendou ao TSE aperfeiçoar o combate à desinformação, uma vez que foi verificada a existência massiva de produção de fake news.
No mês passado, o Ministério das Relações Exteriores recusou o pedido de visto de dois funcionários do governo dos Estados Unidos sob a justificativa de que eles viriam para interferir nas eleições brasileiras. Kassio Nunes Marques, presidente da Corte Eleitoral, defende que a observação internacional ajuda a reforçar a credibilidade do processo.
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