Justiça
Após derrota no Senado, Messias avalia deixar a AGU
O presidente Lula, contudo, pede que ele permaneça no cargo e sugeriu ao ministro ‘esfriar a cabeça’ antes de tomar uma decisão
O atual advogado-geral da União, Jorge Messias, avalia deixar o comando da AGU após a derrota no Senado Federal. Nesta quarta-feira 29, ele foi sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça e aprovado por 16 votos. No plenário, porém, sua indicação ao Supremo Tribunal Federal foi rejeitada por 42 votos a 34.
Logo após a votação, Messias disse a interlocutores que seu ciclo à frente da AGU “acabou”. O presidente Lula (PT), no entanto, pediu uma conversa na mesma noite e solicitou que ele permaneça no cargo. Sugeriu que o ministro “esfrie a cabeça” antes de tomar uma decisão e lhe dê uma resposta nos próximos dias.
Ao longo dos últimos cinco meses, desde que foi indicado, Messias percorreu gabinetes em busca de apoio no Senado. Conversou pessoalmente com mais de 70 senadores, a maioria dos quais havia sinalizado voto favorável. Ainda assim, o ambiente político se deteriorou. O desgaste na relação entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acabou dificultando a consolidação da maioria necessária.
O resultado surpreendeu o ministro. Embora soubesse que a votação seria apertada, ele confiava nas sinalizações recebidas das lideranças. Até minutos antes do encerramento da sessão, manteve conversas com senadores. Ao longo da tarde, porém, já havia chegado a ele a informação de que Alcolumbre atuava contra sua indicação enquanto a sabatina ainda ocorria.
Aliados rejeitam a hipótese de traição em massa por parte da base governista. Mesmo com o voto secreto, assessores mapearam as posições dos parlamentares e dizem ter identificado os apoios. Ainda assim, o comportamento de figuras do governo chamou atenção — em especial o sorriso do líder no Senado, Jacques Wagner (PT-BA), ao aceitar o abraço de Alcolumbre minutos após. resultado no plenário.
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