Justiça
A resposta do governo de Cláudio Castro a Moraes sobre imagens de operação policial com 121 mortes
O ministro havia ordenado o envio dos arquivos em formato original, sem conversão ou compressão que resultasse em perda de dados
O governo do Rio de Janeiro informou ao Supremo Tribunal Federal, nesta sexta-feira 20, ter adotado todas as medidas determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes para o envio integral das imagens originais da megaoperação policial de outubro de 2025. A ação, a mais letal da história do estado, deixou 121 mortos.
O ministro havia ordenado o envio dos arquivos em formato original, sem conversão ou compressão que resultasse em perda da qualidade ou de dados. Decidiu também que o estado deveria fornecer o software necessário para a visualização dos vídeos e a lista dos códigos hash de cada arquivo, a fim de garantir que não houvesse adulteração.
Em resposta encaminhada pela Procuradoria-Geral fluminense, a Secretaria de Polícia Civil afirmou que já havia sinalizado ao STF as dificuldades técnicas encontradas e assegurado a resolução dos problemas.
A pasta explicou ter contatado o Departamento-Geral de Tecnologia da Informação e Telecomunicações e a empresa responsável pela gestão estrutural da plataforma de câmeras corporais, resultando na extração dos registros em seu formato original e com a geração de códigos hash individualizados.
Após a extração, segundo a secretaria, os arquivos foram gravados em um dispositivo físico com todo o material solicitado e encaminhados à Polícia Federal, com a informação de que os registros estavam disponíveis para a realização da perícia. No documento, o estado alega ter tomado as providências antes da ordem de Moraes.
A pasta acrescentou que as informações dos laudos cadavéricos foram destinadas à Diretoria-Geral da PF “para fins de realização da perícia correspondente, com a devida transcrição e elaboração de laudo pericial”. Além disso, afirmou ter encaminhado à corporação um dispositivo físico de armazenamento com fotografias adicionais referentes às necropsias, “com o objetivo de subsidiar a completa instrução técnica dos trabalhos periciais”.
De acordo com o governo de Cláudio Castro (PL), as gravações audiovisuais das necropsias couberam ao Ministério Público, e o Departamento-Geral de Polícia Técnico-Científica não tem acesso às imagens.
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