Cultura

Veronica Oliveira explica por que é errado dizer que uma empregada doméstica é ‘da família’

Em entrevista a CartaCapital, a criadora da página Faxina Boa conta percurso e lições de sua vida como faxineira

Veronica Oliveira explica por que é errado dizer que uma empregada doméstica é ‘da família’
Veronica Oliveira explica por que é errado dizer que uma empregada doméstica é ‘da família’
Veronica Oliveira, criadora da página Faxina Boa. Foto: Manu Quinalha
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“Ela é praticamente da família.”

Uma frase tão comum para supostamente tratar uma empregada doméstica com afeto pode, na verdade, representar um sintoma de uma relação trabalhista abusiva. A avaliação é da comunicadora Veronica Oliveira, ex-faxineira e criadora da página Faxina Boa. Segundo a influenciadora, as profissionais que trabalham com serviços domésticos devem estar atentas aos sinais de discriminação pelos patrões.

Em entrevista ao Instagram de CartaCapital, Veronica foi questionada se é errado afirmar que uma empregada doméstica “é da família”.

“Quando a pessoa fala que quem trabalha para ela é da família, ela pode ter as melhores intenções, mas, na real, ela está mascarando a incapacidade dela de tratar aquela pessoa como uma trabalhadora”, afirmou.

Natural de São Paulo, Veronica trabalhava com telemarketing até ser afastada por uma crise de saúde, em 2016.

Ao terminar um tratamento médico, fez uma faxina despretensiosa na casa de uma amiga e percebeu que poderia investir nisso. Foram as estratégias de divulgação dos seus serviços que atraíram milhares de seguidores às suas redes sociais: ela misturava slogans publicitários a títulos de filmes, séries e demais manifestações da cultura pop.

Durante a pandemia, foi necessário interromper as agendas, mas o trabalho nas redes não parou. A repercussão foi tamanha que ela passou a atuar como palestrante e a dar cursos, tanto sobre as táticas de faxina mais eficientes quanto sobre as lições políticas e de vida que a atividade proporciona.

Ela conta o seu percurso com detalhes no livro Minha vida passada a limpo – Eu não terminei como faxineira, eu comecei (Editora Latitude, 2020). Na obra, diz já ter sonhado em trabalhar como apresentadora de televisão, jornalista e atriz e que a criatividade sempre foi um traço de sua personalidade.

Quase dez anos após a aprovação da chamada PEC das Domésticas, Veronica diz ver como um desafio o cumprimento do que está na lei. Ela destaca a baixa frequência de contratações dessas profissionais por meio da carteira de trabalho. Em sua observação, o mais usual é que as famílias contratem essas trabalhadoras por até dois dias na semana, para evitar a garantia de direitos e o pagamento de tributos.

Assista à entrevista na íntegra na aba de vídeos.

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