Entrevistas

Flávio Dino: ‘A não ser que cometamos muitos erros, Lula vencerá a eleição’

O ex-governador do Maranhão apontou um cenário favorável ao petista, mas ressaltou a necessidade de alterações programáticas que evitem propostas ‘radicais’

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB). Foto: Reprodução
O governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB). Foto: Reprodução
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O ex-governador do Maranhão Flávio Dino (PSB) reivindicou a adoção de ajustes na campanha eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assegurar um resultado favorável na disputa contra Jair Bolsonaro (PL) na eleição, mas disse considerar que a vitória do petista é o cenário mais provável nas condições atuais, apesar do crescimento do ex-capitão nas pesquisas.

A avaliação ocorreu durante entrevista ao canal de CartaCapital no YouTube, nesta segunda-feira 25.

Dino declarou que, resguardada a hipótese de um “fato novo”, Bolsonaro deve seguir com um terço do eleitorado, podendo ampliar o apoio no segundo turno, e Lula seria vencedor com um placar similar ao da eleição francesa, em que o candidato de centro-direita Emmanuel Macron saiu à frente da representante de extrema-direita Marine Le Pen.

Em relação ao aumento no percentual de intenções de voto para Bolsonaro, Dino observa as contribuições do cálculo de margem de erro das pesquisas e da concessão de benefícios do Auxílio Brasil, fatores que não seriam suficientes para traçar um cenário de recondução do ex-capitão ao Palácio do Planalto.

“A não ser que nós cometamos muitos erros, o Lula vencerá a eleição”, declarou Dino. “O Lula é franco favorito, nitidamente favorito. Este favoritismo, obviamente, tem de ser confirmado, mas a tendência é que ele seja confirmado.”

Dino apontou uma série de alterações programáticas necessárias na campanha eleitoral progressista para manter o favoritismo de Lula. Segundo ele, é preciso “enfrentar o extremismo com amplitude” e evitar apresentar propostas que pareçam muito radicais, como a revogação da reforma trabalhista, para que a candidatura presidencial tenha um “programa que una” setores partidários e sociais.

“Por isso que você não pode falar em revogação da reforma trabalhista. Tá errado”, afirmou o ex-governador. “Rever a reforma trabalhista, é claro, como a da Previdência também tem de ser revista numa montanha de coisas. Agora, ao dizer que vai revogar a reforma trabalhista, você está dizendo inclusive para os microempresários, os pequenos empresários, que de algum modo acham que a reforma trabalhista melhorou as suas vidas, que a vida deles vai piorar.”

O ex-governador disse considerar ainda como “antimarxista” a ideia da existência de uma “esquerda pura” como a resposta mais indicada contra a extrema-direita, porque não expressaria a diversidade de “uma sociedade de massas, complexa, num território muito extenso como o brasileiro”.

“Então, você não pode apresentar posições muito ‘radicais’. Você tem de apresentar posições moduladas. Não por oportunismo eleitoral. É por concepção de uma política mediadora de conflitos.”

Em relação ao indulto de Bolsonaro ao deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), Dino classificou o decreto como “ilegal” pelo fato de o presidente se basear em uma suposta comoção nacional relevante.

Para Flávio Dino, Bolsonaro demonstrou ser um “candidato a ditador” e, diante disso, precisaria de “uma camisa de força”.

“Nunca ninguém viu no Direito Brasileiro isso que foi perpetrado. Nunca se viu uma coisa igual.”

Confira a entrevista na íntegra a seguir:

Alisson Matos

Alisson Matos
Editor do site de CartaCapital. Twitter: Alisson_Matos

Thais Reis Oliveira

Thais Reis Oliveira
Editora-executiva do site de CartaCapital

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