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Brasil precisa se posicionar para não ser chantageado como o Irã, diz presidente da Fepal

Um precedente fora da legalidade internacional para energia nuclear, argumenta Ualid Rabah, deixaria o País vulnerável aos desmandos de Donald Trump

Brasil precisa se posicionar para não ser chantageado como o Irã, diz presidente da Fepal
Brasil precisa se posicionar para não ser chantageado como o Irã, diz presidente da Fepal
Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal). Foto: Reprodução/Redes Sociais
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O ataque dos Estados Unidos e de Israel ao Irã no último fim de semana marcou um novo capítulo de uma história de hostilidades que remonta desde os anos 1953, quando os britânicos e norte-americanos, via Operação Ajax, apoiaram a derrubada do primeiro-ministro iraniano Mohammed Mossadegh.

Na avaliação de Ualid Rabah, presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil, a Fepal, o Brasil tem um papel importante na contenção da escalada do conflito, mas não se deve se posicionar meramente como um “mediador isento”.

Um precedente fora da legalidade internacional para energia nuclear, argumenta, deixaria o País vulnerável a desmandos de Donald Trump, assim como o Irã. “Haveria [com o apoio aos EUA e Israel] uma mudança de paradigma, e o Brasil passaria a ser vítima da mesma chantagem, como aliás foi vítima em 2005 pelos Estados Unidos, que naquele momento acusou o Brasil de estar escondendo um programa nuclear não pacífico para fins bélicos”, afirma ele a CartaCapital.

“O Irã é signatário do tratado de não proliferação, como o Brasil, e se submete ao regime de inspeções regulares da Agência Internacional de Energia Atômica, que integram todos os que são signatários do Tratado sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares como o Brasil”, completa.

Assim que o conflito eclodiu, o Itamaraty condenou as agressões, manifestando “profunda preocupação” com a escalada de hostilidades na região do Golfo. O embaixador iraniano, Abdollah Nekounam, agradeceu o governo brasileiro pelas declarações e afirmou que o posicionamento “dá atenção aos valores humanos, à soberania e à independência dos governos”.

O governo brasileiro tem avaliado a possibilidade de atuar como mediador do conflito. Por isso, aliados do presidente Lula (PT) aconselharam ele a não dirigir críticas a Trump e concentrar os esforços na defesa de negociações diretas entre Washington e Teerã.

O presidente da Fepal defende que, além do papel de mediador, o Brasil deve recuperar sua indústria de defesa. “O País precisa ter caças e mísseis capazes de atacar e interceptar, precisamos também ter uma frota marítima, inclusive com submarinos de propulsão nuclear, que possam guardar todo o Atlântico e as nossas reservas petrolíferas.”

O que motiva os EUA e Israel?

Para Ualid, os EUA estão tentando manter o seu poder imperial, a primazia do dólar e conter a China e os Brics como um todo. “Querem também manter a sua indústria bélica como a principal indústria bélica do mundo, já que o Irã, quando produz por conta própria, vai competir no mercado de armamentos, munições e sistemas”, avaliou.

Já do lado de Israel, o principal interesse, na avaliação do presidente da Fepal, é o plano de criar o “Grande Israel”, a ideia de que Israel deve ir do Canal de Suez até o Eufrates. “Quer dizer a tomada de toda esta região que compreende a Palestina, o Líbano, a Jordânia, quase toda a Síria, quase todo o Iraque, parte do Kuwait, parte da Turquia, parte do território da Arábia Saudita e todo o Sinai egípcio”.

“Para isso, é preciso que desmilitarize, destrua aqueles que se opunham a isso. Por isso que o principal oponente deste projeto está sendo destruído, o Irã, que é também Brics e é também um desafiante do monopólio do dólar”, completou.

Assista à íntegra da entrevista:

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