Educação

‘São militantes’, diz Bolsonaro, sobre reitores eleitos com filiação partidária

Presidente negou intervenção nas universidades: ‘Quero colocar um diferente daquele que não está dando certo’

O presidente Jair Bolsonaro, durante transmissão ao vivo nas redes sociais. Foto: Reprodução/Facebook
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O presidente Jair Bolsonaro negou interferência política da sua parte nas escolhas para as reitorias das universidades públicas e disse que quer “colocar um diferente de quem não está dando certo”. A declaração ocorreu em transmissão ao vivo nas redes sociais nesta quinta-feira 26, ao lado do ministro da Educação, Milton Ribeiro.

Durante a gestão do governo Bolsonaro, aumentaram as polêmicas sobre eleições realizadas e não obedecidas pelo governo federal nas universidades federais. Conforme mostrou CartaCapital, algo similar ocorre em institutos federais de formação técnica, onde reitores eleitos e impedidos se articulam para conseguirem tomar posse. O caso está sendo julgado no Supremo Tribunal Federal (STF), por ação do PV que acusa Bolsonaro de “intervenção branca” nas instituições de ensino.

Na live, Bolsonaro criticou a ação do PV e disse que tem direito a escolher outro candidato que não esteja na 1ª posição. Ele se apega ao Decreto 1916/1996, que diz que os reitores devem ser nomeados pelo presidente da República, “dentre os indicados em listas tríplices”, compostas pelos três candidatos mais votados na eleição.

“Isso está em lei. Eu não sei qual vai ser a decisão do Supremo. Mas se é para escolher o 1º da lista, por que tem que chegar na minha mesa para eu assinar o ato de posse daquele novo reitor?”, disse o presidente. “E aí o Partido Verde quer retirar esse direito nosso, o Supremo vai decidir. Estava sendo decidido em uma sessão virtual, e eu estava perdendo. Estou cada vez mais sem poder de decidir.”

Bolsonaro criticou candidatos que são filiados a partidos de esquerda como PT, PSOL e PCdoB, e disse que “são militantes”. A lei, no entanto, não proíbe filiação partidária aos candidatos às reitorias.

“Eu não quero interferir politicamente em lugar nenhum. Mas o que é comum chegar na minha mesa? Lista tríplice. Daí a gente pesquisa a vida da pessoa. Chega a informação de que, olha, esse cara é do PSOL, esse outro é do PT, esse outro é do PCdoB. A gente não deve escolher ninguém por questão ideológica, mas a gente vê que são militantes. E qualquer que você escolha, nesse quesito… Se bem que esse não deve ser o critério mais adequado para se excluir ou não alguém dessa lista, mas se compromete”, afirmou.

O presidente também usou a justificativa de que evita reconduzir os candidatos que foram responsáveis por resultados ruins, como baixa colocação da instituição em rankings de desempenho entre as universidades.

“Se alguém, sendo reconduzido, independente da filiação dele, PT, PCdoB ou PSOL, que é muito comum, se a universidade está lá trás, não está bem rankeada… aquela pessoa, no meu entender, eu vou dar espaço para um dos outros dois. E assim, que, no meu entender, a educação foi aparelhada no Brasil. A gente quer mudar.

Eu não quero botar um cara da direita lá, da extrema-direita, que o pessoal costuma acusar. Eu quero colocar um diferente daquele que não estava dando certo, disse Bolsonaro.

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