Parlamentares pedem explicações à embaixada dos EUA sobre a entrada de Weintraub

Deputados suspeitam que o ex-ministro tenha se valido de visto diplomático para entrar no País e se esquivar de inquérito sobre as fake news

Créditos: Reprodução / Redes Sociais

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Educação,Política

Parlamentares de seis partidos encaminharam uma carta à Embaixada dos Estados Unidos no Brasil solicitando explicações sobre a entrada de Abraham Weintraub no país no último sábado 20. Escrita por integrantes do PT, PDT, PSB, Rede, PSOL e PCdoB, o documento foi encaminhado na terça-feira 23 ao embaixador americano em Brasília, Todd Chapman.

No texto, o grupo de oposição pede à embaixada americana e o Departamento de Estado dos EUA que “clarifiquem as condições em que foi cedida a entrada de Weintraub” e “em qual status ele permanece no país, tendo em vista que não mais representa o governo brasileiro, nem qualquer órgão internacional”.

“Ficamos preocupados que Abraham Weintraub tenha sido admitido nos Estados Unidos sob falsas pretensões para se esquivar do inquérito sobre suas ações e que agora ele resida nos EUA fora do status regular”, argumentam os deputados em trecho do manuscrito.

Além de ser investigado dentro do inquérito das fake news, o ex-ministro também é alvo de investigação por suposto crime de racismo contra a China.

 

Após anunciar a saída do Ministério da Educação, no dia 18 de junho, Weintraub afirmou ter sido convidado para trabalhar no Banco Mundial. Também declarou ter pressa em deixar o País. “Agora é evitar que me prendam, cadeião e me matem”, disse o ex-ministro em entrevista à CNN.

Abraham Weintraub embarcou para Miami em um voo comercial e desembarcou no sábado 20. Sua exoneração do cargo do MEC só foi publicada no Diário Oficial da União depois que sua chegada à Flórida foi confirmada.

Alguns fatores, no entanto, vêm levantando questões sobre a saída de Weintraub do País. Um decreto publicado na terça-feira 23 pelo presidente Jair Bolsonaro retificou a data de exoneração do ex-ministro da educação para o dia 19 de junho, ou seja, um dia antes da entrada de Weintraub nos EUA.

Devido à pandemia do coronavírus, para entrar nos EUA, brasileiros são obrigados a fazer quarentena, segundo o previsto em leis americanas. No entanto, o decreto definiu exceções às regras, por exemplo, quando se tratarem de vistos que autorizam a entrada imediata, caso do visto especial obtido por ministros. Como ao desembarcar em Miami, Weintraub ainda não havia sido exonerado, ele pode ter se valido do visto diplomático para entrar.

Até o momento, Weintraub não possui um vínculo oficial com o Banco Mundial. Embora sua indicação tenha sido feira pelo ministério da Economia, o início da atividade necessita da chancela dos outros países que compõem o bloco com o Brasil, Colômbia, Equador, Trinidad e Tobago, Filipinas, Suriname, Haiti, República Dominicana e Panamá.

A carta é assinada pelos líderes na Câmara do PT, Enio Verri (PR), do PCdoB, Perpétua Almeida (AC), do PSOL, Ivan Valente (SP), do PSB, Alessandro Molon (RJ), do PDT, Wolney Queiroz (PE) da Rede, Joenia Wapichana (RR), e os líderes da Minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE), e no Congresso, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), e o líder da Oposição na Casa, André Figueiredo (PDT-CE), além de outros parlamentares.

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