Educação

Parlamentares do PSOL pedem ação penal contra professor da Unicamp acusado de agressão

Rafael de Freitas Leão é acusado de agredir um estudante da universidade. Na ocasião, o docente portava uma faca e um spray de pimenta

Créditos: Divulgação
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Parlamentares do PSOL pediram ao Ministério Público de São Paulo a instauração de uma ação penal contra o professor do Instituto de Matemática da Unicamp, Rafael de Freitas Leão, que se envolveu em uma tentativa de agressão contra um estudante da universidade. Na ocasião, o docente portava uma faca e um spray de pimenta.

Na peça, as deputadas Sâmia Bomfim e Mônica Seixas e a vereadora em Campinas, Mariana Conti, ainda apontam possíveis ligações do professor a grupos neonazistas ou supremacistas brancos.

As parlamentares detalham, por exemplo, que a lâmina da faca utilizada pelo professor no momento da agressão traz a inscrição ‘Valhalla’ – “nome do palácio da mitologia nórdica para onde seriam levados os guerreiros mortos em batalhas – ou, atualmente, parte do simbolismo utilizados por grupos neonazistas ou supremacistas brancos”.

“Seria mera coincidência uma navalha de faca portando um símbolo neonazista menos conhecido do público (tal qual a suástica e a cruz gramada), mas igual carregado de ideologia; ou será que o professor possui relação com grupos extremistas; ou será apenas um simpatizante da “causa” supremacista?”, questionam as proponentes. As integrantes também anexaram à peça publicações das redes sociais do professor sobre armas, facas e cutelos.

“Ainda que essa seja uma prática da vida pessoal do docente, ele não poderia ter adentrado no campus da Universidade com bens como este, posto que tal atitude não condiz com o bem estar dos alunos, tampouco com a profissão por ele exercida”, ponderam, na sequência.

Por fim, as psolistas pedem ao Ministério Público que avaliem o possível cometimento de crimes tais como lesão corporal e homicídio simples.

Polícia qualificou o professor como ‘vítima’

A Polícia Civil qualificou o professor acusado da agressão como vítima. A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado.

“Todas as partes foram ouvidas e o professor foi qualificado pela autoridade policial como vítima”, disse a secretaria, em nota. A SSP ainda acrescentou que o professor foi impedido de dar aula e derrubado no chão. Ele teria, então, usado a faca e o spray de pimenta para se defender.

Integrantes do Diretório Central dos Estudantes contestam a versão. Segundo eles, o docente teria partido para as ameaças ao ser questionado por dar continuidade às aulas, no momento em que os discentes resolveram aderir a uma paralisação em apoio à greve que aconteceu na capital paulista, na terça-feira 3. Após isso, o docente teria encontrado outro estudante no corredor e partido para a agressão.

A polícia informou ainda que foi instaurado um termo circunstanciado de ocorrência, um tipo de registro de infração de menor potencial ofensivo, por lesão corporal e incitação ao crime.

Unicamp afastou o professor

A Unicamp afastou o professor investigado de suas funções. A universidade também anunciou, nesta quarta-feira, a abertura de um processo administrativo disciplinar  contra o o docente, que será conduzido pela Comissão Processante Permanente. O processo deve ser iniciado nos próximo dias e tem um prazo de 60 dias para ser concluído, com possibilidade de prorrogação.

O Conselho Interdepartamental do Instituto de Matemática Estatística e Computação Científica (IMECC) afirmou que o afastamento do professor  vigora até ao final do ano. O instituto prevê que até lá seja concluída a sindicância interna que apura responsabilidades.

Rafael Leão, de 44 anos, ainda pode ser exonerado do cargo no IMECC (Instituto de Matemática Estatística e Computação Científica), dependendo do resultado da sindicância aberta contra ele.

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