Educação

‘Future-se’ é principal alvo de estudantes em novos atos pela educação

Terceira edição do ‘Tsunami da Educação’ critica programa apresentado pelo MEC para a gestão de universidades e institutos federais

Foto: Patrícia Santos
Apoie Siga-nos no

Nesta terça-feira 13, mais de 50 cidades contaram com manifestações em mais um dos chamados ‘tsunamis’ da educação, convocados pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e por demais movimentos sociais. Dessa vez, o programa Future-se, do Ministério da Educação (MEC), foi o grande alvo das críticas, que diziam sobre uma possível mercantilização das universidades e institutos federais públicos.

Os atos ocorreram em todas as regiões do País, concentrando pessoas em locais chave como na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, Candelária, no Rio de Janeiro, e Avenida Paulista, em São Paulo. Esta é a terceira vez em 2019 que as manifestações pela educação acontecem nacionalmente. Não foram divulgados números oficiais sobre quantas pessoas compareceram aos protestos. A UNE, no entanto, cita 1,5 milhão de pessoas.

Ato pela educação em Maceió, em Alagoas. (Foto: Pedro Ferreira/CUCA da UNE)

Entendendo o Future-se

O Future-se, apresentado pelo ministro da Educação Abraham Weintraub em julho, é uma proposta-modelo de reestruturação do financiamento de universidades e institutos federais a partir do alinhamento a modelos de negócios e capital privados.

De acordo com o MEC, é um projeto que visa “dar autonomia na gestão das universidades e institutos federais”, mas especialistas temem que uma possível não adesão das faculdades ao programa, já que a entrada é voluntária, possa minar recursos já escassos provenientes do Estado.

Um sistema de consulta pública do Future-se, elaborado pelo MEC, permite acompanhar e participar da elaboração do programa e tem prazo final no próximo dia 15 de agosto. Já existem 10.945 comentários. Segundo o Ministério, as contribuições serão ‘consolidadas’ para ‘aperfeiçoar as propostas normativas do programa’.

Para Renata Gonçalves, professora do campus da Baixada Santista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e integrante da Associação dos Docentes da Unifesp (Adunifesp), a proposta fere a autonomia universitária em gerir os próprios recursos e retira o sentido da pesquisa, ensino e extensão.

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, foi professor da Unifesp e é um dos idealizadores do Future-se. Questionada sobre essa linha comum, Gonçalves defende o que teme que se esvair com uma futura privatização do ensino, que teme acontecer depois do Future-se. “É importante a gente não perder de vista que a universidade é um espaço plural, e é justamente essa pluralidade que a gente gostaria de defender”, diz.

Faixa de estudantes do Instituto Federal de São Paulo nas manifestações pela educação(Foto: Giovanna Galvani/CartaCapital)

João, de 17 anos, e Alice, de 15, carregavam uma faixa com o nome que julgavam mais correto ao programa: ‘Fature-se’. Ambos são estudantes do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) e dizem temer que o ensino público de qualidade seja reduzido. “O programa quer formar start-ups, e não pesquisadores”, diz João. “Primeiro ele precariza, e depois vem com um projeto de autonomia financeira? A gente não aceita isso. A nossa escola teve que decidir entre pagar auxílio para os estudantes ou pagar a conta de energia. Isso é inadmissível.”, completa Alice.

A próxima manifestação pela educação, de acordo com a UNE, será no dia 07 de setembro, feriado nacional do Dia da Independência.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo