Ex-presidente do Inep: “Fui tirado por recusar indicação ideológica”

Marcus Vinicius Rodrigues disse ainda que Vélez é gerencialmente incompetente e não tem conhecimento de gestão

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Educação

As polêmicas envolvendo o Ministério da Educação continuam. A bola da vez foi a exoneração do presidente do Inep, Marcus Vinicius Rodrigues. A demissão foi anunciada na noite da terça-feira 26, após uma discussão de Rodrigues com o ministro da pasta, Ricardo Vélez.

Em entrevista ao jornal O Globo, o ex-integrante do Instituto afirmou que sua demissão foi causada por ele não aceitar indicações do ministro com caráter ideológico para ocupar diretorias do Inep. “O ministro me fez várias indicações de profissionais que tinham uma postura ideológica não adequada para a gestão. E eu entendi que isso não seria adequado para a Educação do Brasil”, disse.

O ex-presidente do Inep foi quem tomou a decisão de adiar a avaliação de alfabetização de crianças para 2021. A medida foi anunciada na segunda-feira 25 e causou reações negativas, principalmente entre os especialistas da área de educação. No dia seguinte, em mais um recuo, o ministro da pasta revogou a medida. 

Vélez ficou irritado por não ter sido informado sobre essa decisão, mas o pedido para a suspensão partiu do próprio Ministério da Educação. O secretário de Alfabetização, Carlos Nadalim, foi quem pediu para o Inep não realizar a prova. “A portaria foi apenas um pretexto, mesmo porque o Inep não cometeu nenhum erro”, afirmou Rodrigues.

Leia também: Os evangélicos e a educação

Ricardo Vélez: imagem desgastada a frente do ministério

O encontro entre Rodrigues e Vélez aconteceu na segunda-feira 25 e não foi positivo. Os dois acabaram discutindo, o que culminou na decisão do ministro de exonerá-lo do cargo. Rodrigues ainda tentou negociar com o dirigente da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, para permanecer na presidência do Inep, mas não teve sucesso. A portaria com a decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União.

“O ministro Ricardo Vélez é gerencialmente incompetente. Ele não tem conhecimento de gestão, além de não ser um educador. Isso faz com que ele não consiga gerenciar o dia a dia em um governo tão importante, que está tentando recuperar o Brasil”, disparou.

Doutor em Engenharia da Produção e mestre em Administração de Empresas, Rodrigues foi professor da Fundação Getúlio Vargas e tem uma ligação forte com os militares, o que aumenta ainda mais a crise dentro do ministério.

Leia também: Ricardo Vélez e o festival de besteira que assola a educação

O general Francisco Mamede de Brito Filho é cotado para assumir o cargo. Atualmente, ele é chefe de gabinete do órgão.

Crise no ministério

O episódio reforça o desgaste da figura de Vélez frente ao ministério, que tem sido alvo de disputa pela ala olavista, dos militares e técnicos. Após anunciar dois nomes para o cargo de secretário executivo do MEC e não emplacar nenhum, o ministro está proibido de fazer novas nomeações.

Segundo informou o jornal O Estado de S.Paulo, duas estratégias são pensadas para aplacar a crise no MEC: achar um substituto para Vélez ou nomear um nome forte para o cargo de secretário executivo, o que faria com que atuação do colombiano ficasse mais limitada.

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fontes confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!

Repórter do site de CartaCapital

Compartilhar postagem