Ex-presidente do Inep acusa o ministro Milton Ribeiro de omissão no Enem

Alexandre Lopes, demitido em fevereiro, ainda disse que a edição deste ano está atrasada e pode ser adiada por falta de orçamento

O Ministro da Educação, Milton Ribeiro (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Ministro da Educação, Milton Ribeiro (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Educação

O ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) Alexandre Lopes afirmou que o ministro da Educação, Milton Ribeiro, foi ‘omisso’ em relação ao Enem do ano passado e que a edição deste ano pode ser adiada para 2022, também por falta de recursos.

As declarações foram dadas em entrevista ao O Globo, divulgada nesta segunda-feira 3.

 

 

 

Na conversa, Lopes falou sobre a falta de atuação do ministro diante das dificuldades de aplicação do Enem em janeiro e fevereiro deste ano. A prova teve números recordes de abstenção e estudantes relataram que foram impedidos de fazer a prova porque as salas já estavam lotadas.

Ribeiro chegou a negar duas reuniões com o então presidente do Inep. “O Enem acontecendo no Brasil, em meio a uma pandemia, com todas as dificuldades, e o ministro se recusou a me receber. Eu só conseguia falar com ele por WhatsApp, mandei mensagens”.

Lopes teria mandando mensagens ao ministro relatando preocupação com a reaplicação do exame em Manaus. “Ele simplesmente me respondeu ‘ok, vai dar certo’. Foi essa a orientação dele para mim. Foi omisso. O ministro simplesmente fugiu do Enem”, completou o ex-presidente do órgão.

O ex-presidente do Inep classificou a atitude do ministro como covarde e supôs que Ribeiro já tivesse decidido pelo seu afastamento. Lopes foi demitido em fevereiro. “Eu não sei, talvez ali ele tenha decidido me substituir. Acho que ele queria, com covardia, (passar a ideia) ‘não tenho nada a ver com esse negócio do Enem. Deu errado, eu estava alheio. Ninguém me falou nada’. Acho que ele queria fugir da responsabilidade”.

A realização do exame também pode ser comprometida este ano por falta de orçamento, situação que se arrasta desde o ano passado, conforme também indicou Lopes.

“O orçamento para o Enem era cerca de R$ 200 milhões e o Enem custa cerca de R$ 700 milhões. Ao contrário da covardia e da incompetência do ministro Milton Ribeiro, se eu fosse (igual a) ele, ano passado não tinha Enem. Tive que conseguir um valor extra por causa da Covid. Se ele for seguir o Orçamento desse ano, são R$ 200 milhões para o Enem, não tem exame por esse orçamento”, declarou.

“Acho que há um risco de jogarem o Enem para o ano que vem utilizando como desculpa a pandemia. Mas se você perguntar hoje se tem prova pronta, contrato, eles não vão ter para informar’, completou.

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